Parlamentares apontam irregularidades, riscos à segurança viária e ausência de autorização
Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolaram nesta quinta-feira (22) um pedido formal à Polícia Rodoviária Federal solicitando providências contra a marcha liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ao longo da BR-040, entre Minas Gerais e o Distrito Federal.
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Segundo os parlamentares, a mobilização apresenta uma série de irregularidades que colocariam em risco a segurança de motoristas e dos próprios participantes. Entre os pontos citados estão a ausência de comunicação prévia às autoridades, a utilização da pista de rolamento em alguns trechos da rodovia e o pouso e decolagem de helicópteros sem autorização ao longo do trajeto.

Lindbergh Farias afirmou que há registros visuais que mostram integrantes da marcha transitando fora do acostamento, avançando sobre a via principal, além da presença de helicópteros utilizados para transporte de parlamentares e apoiadores. Para ele, a mobilização deveria ser imediatamente suspensa pela PRF.
Rogério Correia reforçou que a marcha não segue os protocolos normalmente adotados em manifestações em rodovias federais, que exigem planejamento, comunicação prévia e medidas de segurança. Segundo o deputado, a omissão do poder público diante da situação pode agravar os riscos de acidentes.
Pressão política, logística e bastidores
A caminhada teve início na segunda-feira (19), em Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, com destino a Brasília, em um percurso estimado em cerca de 240 quilômetros. O movimento é divulgado como uma forma de pressão política pela libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na superintendência da Polícia Federal, na capital federal.
Ao longo do trajeto, a mobilização passou a ser questionada após a confirmação de que Nikolas Ferreira interrompeu a caminhada para se hospedar no Hotel Quartzo, empreendimento de alto padrão em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. Segundo a equipe do parlamentar, a parada teria como objetivo a recuperação física após dias de deslocamento.
Apuração local indica que o deputado não cumpriu agenda política no município durante o período de hospedagem, o que levantou questionamentos sobre a logística da mobilização e a extensão efetiva do trajeto percorrido a pé. A presença do ex-vereador Carlos Bolsonaro no mesmo hotel, registrada por moradores e funcionários, também chamou atenção, embora não tenham sido divulgados compromissos públicos ou reuniões.
Os deputados do PT sustentam que, além das questões de segurança viária, a marcha pode ter implicações políticas e institucionais mais amplas, ao reunir parlamentares e apoiadores em uma rodovia federal sem autorização formal. No pedido encaminhado à PRF e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), eles solicitam que os órgãos impeçam a ocupação da pista e adotem medidas para garantir a segurança do tráfego.
Até o momento, não houve manifestação pública da Polícia Rodoviária Federal sobre o pedido apresentado pelos parlamentares.




