Pesquisa foi feita com animais
O sono é uma atividade que ocupa cerca de um terço de nossas vidas e é fundamental para uma boa saúde mental e emocional, além de ser essencial na manutenção de uma vida saudável. Nos dias de hoje, o estilo de vida e a pressão exercida pela sociedade levam milhares de indivíduos à privação de sono, acarretando prejuízos para a saúde e bem-estar. Em roedores avaliados em estudo realizado pelo Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) a situação não foi diferente.
A privação de sono nesses animais alterou varios aspectos do funcionamento comportamental, como memória, ansiedade, atenção, alteração sexual e hormonal, além de danos no sistema imunológico. Com isso, estudos revelam que a regulação fisiológica de sono e a resposta imunológica compartilham moléculas que, por sua vez, comprovam que a privação de sono pode baixar as defesas do organismo contra infecções e tumores.
Foram utilizados nesse experimento 50 animais. Eles foram divididos em quatro grupos, sendo que em três deles foram introduzidas células tumorais. Durante a privação do sono não houve óbito. Isso ocorreu com o passar do tempo devido ao crescimento tumoral, o que era esperado. Como resultado desse estudo, foi observado que a privação de sono, antes da introdução das células tumorais, não modificou a sobrevida dos animais portadores dessa neoplasia.
Contudo, a privação de sono imediatamente após a introdução das células tumorais (lembrando que o crescimento tumoral ocorre durante a privação e recuperação de sono) reduziu significativamente a sobrevida de camundongos fêmeas quando comparada aos camundongos que não foram submetidos à privação (grupo controle). Esses resultados sugerem que a privação de sono, prejudicou a resposta imunológica, reduzindo significativamente a sobrevida dos animais. Porém, quando o tumor se desenvolve durante o período de recuperação de sono esse prejuízo, antes observado, torna-se irrelevante.
O objetivo do trabalho foi verificar os efeitos da privação de sono sobre a sobrevida de camundongos fêmeas, portadores do tumor de Ehrlich. Esse tumor é experimental e transplantável, e tem se mostrado um bom modelo animal devido ao conhecimento de seu comportamento nos animais receptores, possibilitando sua utilização para o estudo de diversas situações. Ele é originado espontaneamente como um carcinoma mamário de camundongo fêmea, e apresenta-se sob duas formas: a ascítica, obtida através de inoculação de uma suspensão de células no peritônio, e a sólida, mediante inoculação dessa mesma suspensão no subcutâneo do dorso ou no coxim plantar dos camundongos.
“Em função do aumento do número de pessoas expostas à privação de sono, muitos estudos têm sido conduzidos com a finalidade de esclarecer sua influência no sistema imunológico. Nesse sentido, torna-se importante continuar a investigar a possibilidade da privação de sono alterar o crescimento tumoral, e conseqüentemente, a sobrevida de animais portadores de uma neoplasia”, afirma Jussara Corrêa, responsável pela pesquisa.
Detalhamento da pesquisa
O grupo 2 (grupo que foi introduzido o tumor e depois privado de sono) quando comparado com o grupo 4 ( grupo não privado de sono e introduzido o tumor) apresentou uma sobrevida significativamente menor, ou seja, os animais do grupo 2 morreram entre o 17º e 19º dia após a introdução do tumor, já os animais do grupo 4 morreram entre o 18º e 22º dia.
O grupo 1 (grupo privado de sono antes da introdução do tumor) quando comparado com o grupo 4 ( grupo não privado de sono e introduzido o tumor) não apresentou diferença na sobrevida, ou seja, os animais do grupo 1 morreram entre o 19º e 21º dia após a introdução do tumor, já os animais do grupo 4 morreram entre o 18º e 22º dia.




