Movimentos sociais denunciam intimidações no Legislativo e pedem investigação sobre atuação de parlamentares

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Movimentos sociais de Campinas lançaram o Fórum Permanente de Luta contra a Violência Política de Gênero e o Feminicídio, em resposta a episódios recentes de intimidação contra a vereadora Guida Calixto (PT). Segundo os organizadores, os ataques ocorreram dentro e fora da Câmara Municipal de Campinas, envolvendo abordagens a assessoras e invasões ao gabinete da parlamentar.
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De acordo com manifesto divulgado pelo grupo, as hostilidades teriam se intensificado após a apresentação de um projeto que propõe a criação do Sistema Municipal de Prevenção ao Feminicídio. O documento cita nominalmente Herick Renato Breneli, Israel Grigorio Lopes Junior e Miqueias Augusto de Carvalho Pereira como responsáveis por ações agressivas, além da participação de um influenciador identificado como Victor Ruiz durante um episódio ocorrido em 18 de março, quando a ministra Márcia Lopes esteve na Câmara.
ACESSO AO LEGISLATIVO E INVESTIGAÇÃO
O manifesto aponta que os envolvidos teriam conseguido acessar o plenário com apoio jurídico em sessões realizadas ao longo de março, mesmo após registro de Boletim de Ocorrência. Segundo o mandato da vereadora, os indivíduos passaram a frequentar sessões com respaldo dos vereadores Benê Lima (PL) e Nelson Hosri (PSD).
O caso foi encaminhado à Corregedoria da Câmara, que deve apurar eventual responsabilidade dos parlamentares por suposto incentivo às ações.
CONTEXTO E LEGISLAÇÃO
Os organizadores do fórum afirmam que os episódios refletem a atuação de grupos associados à chamada cultura “redpill”, caracterizada, segundo o movimento, pela disseminação de discursos de ódio e perseguição a mulheres em espaços de poder.
O grupo sustenta que as ações podem configurar violação da Lei 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir e punir a violência política de gênero, garantindo o livre exercício de mandatos eletivos.
MOBILIZAÇÃO
A criação do fórum busca articular entidades, coletivos e cidadãos interessados em monitorar casos de violência política e pressionar por medidas institucionais. Os organizadores informaram que interessados podem integrar o coletivo por meio de canais oficiais de mobilização.
O episódio ocorre em um contexto de crescente judicialização de conflitos políticos e aumento de denúncias de violência de gênero na política. A eventual responsabilização de agentes públicos e civis dependerá da apuração formal dos fatos, incluindo o contraditório. Enquanto isso, a criação do fórum indica uma tentativa de institucionalizar a resposta da sociedade civil diante de episódios recorrentes no Legislativo local.




