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terça-feira, janeiro 27, 2026
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Governança nacional e global tem de inovar para enfrentar maré de desinformação, diz Haddad

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A campanha permanente pela inovação na governança no plano nacional e internacional é a melhor forma de enfrentar a maré da desinformação que polui o debate público em todo o mundo. A afirmação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante participação em conferência no Instituto de Estudos Políticos de Paris, da Sciences Po. Haddad defendeu que essa inovação na governança exige uma aliança política entre ciência e sociedade em nível global.

Desse modo, o ministro “convocou” a comunidade científica, econômica e política presente à conferência a se engajar nessa aliança. O tema da conferência foi “Dez anos após o Acordo de Paris: governar na era climática”.

No evento, Fernando Haddad expôs a posição da área econômica brasileira, que abriu o atual mandato federal com a apresentação, pelo Ministério da Fazenda, de um Plano de Transformação Ecológica. Ou seja, reiterando ser imprescindível às economias do planeta “enraizar” a agenda do clima em toda a gestão do Estado.

“Embora o Brasil tenha desempenhado um papel histórico nas agendas ambientais, até pouco tempo atrás os ministérios da área econômica estavam alheios a esse debate. Já no primeiro ano, lançamos o Plano de Transformação Ecológica – o Novo Brasil“, disse. O ministro da Fazenda destacou a implementação de dezenas de políticas e ferramentas estruturantes. “Aprovamos a lei do Mercado de Carbono e da Taxonomia Sustentável, desenvolvemos e introduzimos novos mecanismos financeiros, e lançamos uma plataforma de investimentos para mobilizar recursos estrangeiros”, observou.

Da doação ao investimento com retorno

O potencial do Brasil de liderar pelo exemplo, promovendo uma agenda climática inclusiva e focada na implementação de soluções concretas, e reconhecido no mundo, também, foi citado. “Só assim a COP 30 entrará na história como a COP da implementação”, informando que o Ministério da Fazenda está empenhado em responder a apelos para que a Conferência do Clima de Bel´me, em novembro, “resgate a centralidade do multilateralismo” e posicione o Brasil “como líder pelo exemplo e pela cooperação em prol de um multilateralismo reforçado”.

Ou seja, reiterou que num mundo hoje assolado pelo anti-multilateralismo praticado por algumas nações: “A melhor resposta à crise do multilateralismo é ousarmos ainda mais no multilateralismo. No espírito do ‘mutirão’ — termo indígena destacado pelo Presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago —, pedimos a mobilização de todos”.

Nessa linha, dirigindo seu pronunciamento aos anfitriões Pierre Charbonnier, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa Científica, e Laurence Tubiana, diretora da Fundação Europeia para o Clima, Fernando Haddad citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Cujo conceito supera o “paradigma da doação” para o de “investimento com retorno”. Isto é, as políticas e recursos voltados para a proteção de florestas tendem também a responder com lucros sustentáveis.

“Uma vez constituído, o TFFF tem o potencial de impactar um bilhão de hectares de florestas, o equivalente a 18 vezes o território da França, em 70 países em desenvolvimento, começando pelo Brasil”, resumiu.

Fernando Haddad felicitou Charbonnier pela crítica ao “mito do progresso infinito”: “Lembra-nos que, para construir um futuro sustentável, precisamos romper com as lógicas do passado e adotar uma nova visão de prosperidade, que integre tanto as questões sociais quanto ambientais.” 

E fez também um alerta para a defesa das democracias como ponto de apoio para a construção de um mundo mais justo e sustentável: “Sabemos que não há um paradigma fixo para a Governança na Era do Clima. Choques políticos, econômicos e até militares podem derrubar, da noite para o dia, experiências institucionais promissoras e interromper a dinâmica de aprendizado e de progresso da sociedade”.


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