Encontro deve alinhar discurso eleitoral, cobrar entregas e ajustar o núcleo político para o último ano antes das urnas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou para a terceira semana de dezembro a reunião que promete redefinir o rumo político e administrativo do governo. A convocação — prevista para os dias 17 ou 18 — terá peso de fechamento de ciclo e início oficial da engrenagem para 2026.
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No Palácio do Planalto, auxiliares descrevem a reunião como a “peneira final” da Esplanada antes do ano eleitoral. Lula pretende reunir todos os ministros para um balanço minucioso do que foi entregue em 2025, identificar gargalos e redefinir prioridades com foco nos programas estratégicos — especialmente nas áreas de infraestrutura, inclusão social, economia e comunicação.

A avaliação interna é que o encontro deve ter tom mais político que técnico. A ordem será reforçar presença pública dos ministros, ajustar discurso, padronizar narrativas e preparar a máquina federal para o desgaste natural da disputa eleitoral. A orientação emitida na reunião de agosto — “responder às críticas e disputar narrativa” — será reiterada, agora com cobrança direta de resultados.
Nesta nova etapa, cada ministério terá de apresentar dados concretos de execução, justificativas para atrasos e metas para 2026. O Planalto quer evitar ruídos como os vistos ao longo do ano em pastas estratégicas, que alternaram avanços e embates internos, além de instabilidades provocadas por disputas regionais e pela reorganização das bases do governo no Congresso.
Nos bastidores, a reunião é tratada como uma espécie de “mapa de calor” político: Lula pretende identificar quais ministros entregam voto, quais têm capilaridade regional e quais estão apenas ocupando espaço administrativo. A depender do desempenho, o encontro pode abrir caminho para uma minirreforma ministerial no primeiro trimestre de 2026.
Outro ponto observado discretamente por articuladores é o impacto do novo slogan “Do lado do povo brasileiro” na estratégia eleitoral. A Secom apresentará métricas de alcance, engajamento digital e comparação com campanhas de governos anteriores — material que pode influenciar redistribuição de verba publicitária e prioridades de comunicação em estados-chave.
Interlocutores também apontam que Lula quer uma atuação mais coordenada entre Casa Civil, Fazenda, Planejamento e Casa Civil para evitar contradições públicas que expuseram o governo em temas como arcabouço fiscal, obras do PAC e renegociações com o Congresso.
Nos corredores da Esplanada, comenta-se que essa reunião servirá para definir quem será escalado para a linha de frente nas regiões onde o governo enfrenta resistência — especialmente Sul, Centro-Oeste e setores do Sudeste.
O encontro, portanto, não será apenas um balanço: será um teste de força interno, um filtro de lealdade política e um esboço do tabuleiro eleitoral que o Planalto pretende montar até junho, quando começam as articulações formais das chapas estaduais.




