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segunda-feira, janeiro 26, 2026
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Médico preso por assassinato dos colegas é diretor de empresa contratada pelo Mário Gatti

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Crime levanta questionamentos sobre contratos milionários na saúde pública

O médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, preso em flagrante após matar a tiros dois colegas de profissão em frente a um restaurante em Barueri, na noite de sexta-feira (16), ocupava até dezembro de 2025 o cargo de diretor-presidente da empresa Cirmed, que mantém contratos com a Rede Mário Gatti de Hospitais, em Campinas. A informação foi confirmada pela Prefeitura, que afirma não haver impacto na continuidade dos serviços prestados à população.

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O crime ocorreu por volta das 22h, após um encontro entre o acusado e os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35. Segundo o registro policial, houve uma discussão entre eles ainda dentro do restaurante, a ponto de a Guarda Civil ser acionada. Aos agentes, Silva Filho teria negado estar armado. No entanto, já do lado de fora do estabelecimento, sacou uma arma e efetuou disparos contra os dois médicos, que morreram no local. O autor foi detido em flagrante e o caso segue sob investigação.

Uma das linhas apuradas pela polícia é a de que o desentendimento tenha sido motivado por disputas envolvendo contratos e licitações na área da saúde. Foto Reprodução

Uma das linhas apuradas pela polícia é a de que o desentendimento tenha sido motivado por disputas envolvendo contratos e licitações na área da saúde, incluindo concorrência entre empresas ligadas às vítimas e ao acusado. A hipótese ainda não foi confirmada oficialmente.

Em Campinas, a Cirmed é contratada por meio de licitação para prestação de serviços médicos e multiprofissionais no Hospital Ouro Verde, em contrato no valor de R$ 51 milhões pelo período de 24 meses. A empresa também é responsável por serviços de anestesiologia nos hospitais Ouro Verde, Mário Gatti e Mário Gattinho, em contrato de R$ 29 milhões com vigência de 36 meses.

A Prefeitura informou que a empresa solicitou formalmente, em dezembro, a retirada de Silva Filho do quadro societário. Em nota divulgada nas redes sociais, a Cirmed afirmou que o episódio envolvendo um de seus sócios tem caráter pessoal e isolado, e não guarda relação com as atividades de assistência em saúde desenvolvidas pela empresa.

Um dos contratos firmados em Campinas chegou a ser questionado judicialmente por uma empresa concorrente, que alegou a existência de sanção aplicada à Cirmed em contrato com o poder público de Porto Alegre, o que, segundo a ação, impediria novas contratações. O pedido de liminar foi negado pelo Tribunal de Justiça, que entendeu que o edital da licitação em Campinas permite a participação de empresas com restrições em outros entes federativos e que não havia impedimento jurídico para a contratação. A administração municipal afirma que não há pendências nem descumprimento contratual por parte da empresa no município.

Levantamento feito a partir de registros de licitações, decisões judiciais e dados contratuais indica que a Cirmed concentra contratos relevantes na área da saúde pública em diferentes cidades, com atuação em serviços médicos especializados. O caso reacende o debate sobre mecanismos de controle, governança e fiscalização de empresas privadas que operam serviços essenciais por meio de contratos milionários com o poder público, tema que deve ganhar novos desdobramentos à medida que as investigações avançam.

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