Ministro do STF afirma que encontro não faz parte de agenda diplomática e pode levar à reavaliação do visto do representante americano

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (12) o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber na prisão a visita do assessor do governo dos Estados Unidos Darren Beattie, ligado ao presidente norte-americano Donald Trump. A decisão cita que o encontro não integra a agenda oficial do visitante no Brasil e não foi comunicado previamente à diplomacia brasileira.
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Na decisão, Moraes afirmou que a visita solicitada pela defesa do ex-presidente não tem relação com o objetivo diplomático que justificou a entrada do assessor no país. Segundo o ministro, o encontro pretendido com Bolsonaro poderia inclusive levar à reavaliação do visto concedido ao representante do governo norte-americano.
A negativa ocorreu após manifestação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que informou ao STF que a visita ao ex-presidente poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil. O Itamaraty também destacou que a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil comunicou ao governo brasileiro apenas a participação de Beattie em um evento econômico.
De acordo com o chanceler, o assessor americano viajará ao país para participar do Fórum Brasil‑EUA de Minerais Críticos, marcado para a próxima quarta-feira (18), em São Paulo. Segundo o Itamaraty, a representação diplomática norte-americana não mencionou qualquer agenda paralela, incluindo visitas fora do cronograma oficial.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado ao Supremo que o encontro ocorresse na segunda-feira (16) ou na terça-feira (17), durante a passagem do assessor pelo Brasil. O pedido incluía também autorização para a entrada de um tradutor no local da prisão.
Condenação e cenário político
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que investigou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A ação penal tramitou no Supremo Tribunal Federal e reuniu provas de articulações políticas e institucionais para contestar o resultado eleitoral.
O ex-presidente cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A unidade, conhecida informalmente como “Papudinha”, abriga presos considerados de perfil especial, como policiais, advogados e magistrados.
Nos bastidores de Brasília, a tentativa de visita de um assessor estrangeiro ao ex-presidente preso passou a ser analisada por integrantes do governo e do Judiciário como um episódio com potencial repercussão diplomática. Interlocutores do Itamaraty avaliam que o gesto poderia ser interpretado como pressão política externa em um processo judicial conduzido pela Justiça brasileira, cenário que ampliou a cautela do STF na análise do pedido.




