Cartel mais armado do país entra em fase de reorganização após operação militar

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, durante uma operação do Exército mexicano no domingo (22), abriu uma disputa interna no Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), considerado o grupo criminoso mais poderoso do México. Autoridades reforçaram a segurança em várias cidades diante do risco de confrontos e retaliações.
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Com forte presença territorial e estrutura militarizada, o CJNG consolidou-se como protagonista no envio de heroína, cocaína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos, além de operar mercados na Europa e manter conexões na Ásia. Segundo autoridades americanas, o grupo também desenvolveu sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro, inclusive com uso de criptomoedas e redes internacionais.




ORIGEM E EXPANSÃO
O CJNG surgiu em 2007 como braço armado regional ligado ao Cartel de Sinaloa, inicialmente para proteger rotas em Jalisco. A estrutura foi impulsionada por Ignacio Coronel, aliado de Joaquín Guzmán Loera, o “El Chapo”. Após a morte de Coronel, “El Mencho” assumiu o comando e rompeu com antigos aliados, iniciando uma expansão agressiva.
Em poucos anos, o grupo derrotou rivais como Los Zetas e o Cartel dos Cavaleiros Templários, ampliando domínio territorial e consolidando presença em mais da metade dos estados mexicanos. A organização passou a disputar diretamente o mercado de drogas sintéticas com o Cartel de Sinaloa, aproveitando a crise interna provocada pela prisão e extradição de “El Chapo”.
Além do narcotráfico, o CJNG diversificou receitas com extorsões em áreas agrícolas e de mineração, infiltração em setores como construção civil e pecuária e influência sobre autoridades locais e alfandegárias. A Drug Enforcement Administration (DEA) aponta que o cartel tem presença em mais de 40 países e mantém braço financeiro conhecido como “Los Cuinis”, responsável por repatriar lucros ilícitos.
VÁCUO DE PODER
A ausência de um sucessor claro amplia a incerteza sobre os próximos passos da organização. Um dos filhos de “El Mencho”, Rubén Oseguera González, o “El Menchito”, foi extraditado para os Estados Unidos em 2020, enfraquecendo a linha sucessória direta. Analistas avaliam que a centralização rígida imposta pelo líder pode dificultar a transição interna e estimular disputas entre facções regionais.
Historicamente, a eliminação de líderes do narcotráfico no México não significou o fim das organizações, mas sim fragmentações que resultam em confrontos mais intensos e pulverização da violência. Nas últimas horas, episódios armados já foram registrados em Jalisco e estados vizinhos.
A expectativa das autoridades mexicanas é que as próximas semanas sejam decisivas para medir o grau de reorganização do CJNG e a reação de grupos rivais que podem tentar ocupar espaços estratégicos deixados pela morte de seu principal comandante.




