
Valores foram registrados como doações estimáveis em dinheiro e, segundo a campanha, correspondem a trabalho voluntário; prestação de contas da candidatura permite identificar os lançamentos na Justiça Eleitoral
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
Oito dos nove assessores que atuavam no escritório político de Sergio Moro (PL), em Curitiba, aparecem na prestação de contas da campanha do senador ao governo do Paraná como doadores de um total de R$ 65 mil. O levantamento foi publicado pelo Plural.jor com base nos dados da Justiça Eleitoral. Os oito lançamentos foram registrados na mesma data, 17 de outubro, e classificados como doações estimáveis em dinheiro.
O maior valor individual informado foi de R$ 25 mil, atribuído a Lucas Alves de Lima Barros de Góes, assessor parlamentar do Senado. Adriana Kaminski Araújo aparece com R$ 10 mil, enquanto outros seis integrantes da equipe registraram R$ 5 mil cada. Segundo a campanha de Moro, não houve transferência financeira. Os valores corresponderiam ao trabalho voluntário realizado pelos assessores em períodos de disponibilidade.
A legislação eleitoral permite que pessoas físicas façam doações de bens e serviços próprios contabilizados como valores estimáveis em dinheiro. Para serviços, o Tribunal Superior Eleitoral estabelece que eles devem ser efetivamente prestados pelo próprio doador e que a avaliação precisa observar os preços praticados no mercado.
A própria legislação determina que serviços de militância prestados gratuitamente também sejam declarados como doação estimável em dinheiro. Portanto, a existência dos lançamentos, isoladamente, não comprova irregularidade eleitoral. A questão central passa a ser a comprovação do serviço efetivamente prestado, sua avaliação econômica e a compatibilidade das informações apresentadas na prestação de contas.
O que chama atenção nos registros
Os lançamentos concentram oito assessores de um mesmo escritório político e foram realizados na mesma data. Esse conjunto de informações, por si só, não demonstra ilegalidade, mas torna relevante verificar na prestação de contas qual serviço foi declarado por cada doador, como o valor foi calculado e se existe documentação capaz de comprovar a atividade.
A Justiça Eleitoral exige que doações estimáveis em dinheiro sejam registradas e que os serviços doados sejam de responsabilidade direta da pessoa que aparece como doadora. Para as eleições de 2026, o TSE também informa que bens e serviços estimáveis integram a movimentação financeira considerada na prestação de contas das campanhas.
Entre os nomes registrados está Fábio Bento Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) e apoiador de Moro. A entidade esteve envolvida em disputas judiciais relacionadas a atos políticos realizados em Curitiba durante o período eleitoral.
Aguayo também foi citado pelo advogado Rodrigo Tacla Duran como interlocutor de Moro no período em que o atual senador atuava como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. Moro nega as acusações feitas por Tacla Duran.
Outro nome que aparece entre os doadores é Carlos Henrique Rossato Gomes, ex-prefeito de Paranavaí.
Campanha diz que não houve dinheiro
Procurada sobre os registros, a assessoria de Sergio Moro afirmou que os assessores não fizeram doações financeiras à campanha. Segundo a explicação apresentada, os valores lançados na prestação de contas representam o trabalho voluntário realizado pelos integrantes da equipe durante períodos em que estavam disponíveis para colaborar com a candidatura.
A distinção é importante: uma doação estimável em dinheiro não representa necessariamente entrada de recursos financeiros na conta eleitoral. O próprio TSE diferencia as doações financeiras das doações de bens e serviços que possuem valor econômico, mas não envolvem transferência direta de dinheiro.
O caso, portanto, não permite concluir apenas pelos registros que houve irregularidade. O ponto a ser acompanhado na prestação de contas é a correspondência entre os valores declarados e os serviços efetivamente prestados por cada assessor, além da documentação utilizada para justificar a avaliação econômica.
Os dados das receitas e despesas das candidaturas de 2026 estão disponíveis no sistema DivulgaCandContas, mantido pelo Tribunal Superior Eleitoral, que permite acompanhar a origem dos recursos e os gastos declarados pelas campanhas.


