PT pede ao STF e TSE investigação sobre interferência estrangeira nas eleições e questiona ações favoráveis a Flávio Bolsonaro

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A representação menciona a Rockbridge Network, organização americana associada a setores conservadores dos Estados Unidos, e solicita que sejam investigadas eventuais conexões com brasileiros envolvidos em iniciativas de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Foto WhiteHouse

Partido apresentou pedidos ao STF e ao TSE para apurar suspeitas envolvendo financiamento, anúncios digitais, organizações estrangeiras e produção de conteúdo político; acusações ainda dependem de investigação

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou nesta quarta-feira (23) pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026 e eventuais ações políticas, financeiras e digitais que, segundo a legenda, poderiam beneficiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No TSE, o partido pede a cassação da chapa formada por Flávio e seu vice, além da inelegibilidade do senador e de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

No STF, o PT solicita a abertura de investigação pela Polícia Federal para identificar possíveis financiadores, operadores e beneficiários de ações que a legenda considera potencialmente capazes de interferir no processo eleitoral. A representação cita, entre outros elementos, informações atribuídas à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre possíveis ameaças de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.

A petição reúne uma série de episódios envolvendo as relações entre o governo de Donald Trump e o Brasil, incluindo medidas comerciais, sanções e restrições impostas a autoridades brasileiras. O PT sustenta que esses acontecimentos devem ser analisados conjuntamente com a atuação de brasileiros junto a autoridades e grupos políticos nos Estados Unidos.

A existência desses fatos, porém, não comprova que tenha ocorrido uma operação estrangeira destinada a favorecer determinada candidatura. Essa é justamente uma das questões que o partido pretende que sejam investigadas.

Dinheiro estrangeiro e operação digital

Um dos principais pontos apresentados ao STF envolve a possibilidade de financiamento estrangeiro, direto ou indireto, de iniciativas políticas e digitais relacionadas à eleição brasileira.

A representação menciona a Rockbridge Network, organização americana associada a setores conservadores dos Estados Unidos, e solicita que sejam investigadas eventuais conexões com brasileiros envolvidos em iniciativas de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Entre os nomes citados estão Tallis Gomes, Pedro Sang e André Marinho. O PT pede que sejam analisados documentos, contratos, registros de reuniões e movimentações financeiras que possam esclarecer se houve transferência de recursos, prestação de serviços ou outras formas de apoio provenientes do exterior.

A legenda também questiona a existência de anúncios patrocinados no X direcionados ao público brasileiro. Segundo a representação, pelo menos 11 perfis publicaram conteúdos pagos entre os dias 18 e 21 de setembro sem identificação clara do responsável pelo financiamento.

Os conteúdos utilizariam informações da plataforma de apostas Polymarket para apresentar Flávio Bolsonaro em posição favorável em relação a outros possíveis candidatos. O PT pede que sejam identificados os responsáveis pelos pagamentos, os valores desembolsados, o alcance das campanhas e eventuais relações entre os responsáveis pelas publicações.

A campanha de Flávio Bolsonaro declarou não ter conhecimento dos anúncios mencionados na ação.

Conteúdo político também entra na representação

Outro eixo da petição envolve conteúdos produzidos pelo Brasil Paralelo e pelo Estúdio Quinto Elemento que teriam sido disponibilizados na Academia da Direita, plataforma relacionada ao Partido Liberal e ao Instituto Álvaro Valle.

Segundo o PT, foram identificados documentários e outras produções disponibilizados sem que a legenda encontrasse, nas informações analisadas, registros correspondentes de contratação ou pagamento nas prestações de contas.

O partido sustenta que, caso os materiais tenham sido produzidos ou distribuídos gratuitamente em benefício de uma candidatura ou estrutura partidária, seria necessário verificar se houve uma doação estimável em dinheiro e se ela foi devidamente registrada.

A existência de conteúdo produzido por empresas ou organizações com atuação internacional, entretanto, não demonstra automaticamente financiamento estrangeiro de campanha. Para estabelecer eventual irregularidade seria necessário comprovar a origem dos recursos, a natureza dos serviços prestados e a relação concreta com a disputa eleitoral.

O que o PT pediu ao STF

Entre as providências solicitadas estão a abertura de inquérito, preservação de provas digitais, identificação dos responsáveis por anúncios patrocinados e análise de contratos e movimentações financeiras.

A legenda também pede que, caso sejam encontrados elementos suficientes e observados os requisitos legais, possam ser adotadas medidas mais invasivas de investigação, como acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos.

O objetivo declarado é identificar a eventual origem de recursos e serviços utilizados em ações de comunicação e mobilização política e verificar se houve participação estrangeira.

Ação eleitoral no TSE

Paralelamente à representação no STF, o PT levou ao TSE questionamentos sobre a campanha de Flávio Bolsonaro. A legenda sustenta que os fatos relatados podem caracterizar abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação.

O pedido inclui a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar e a declaração de inelegibilidade de Flávio e Eduardo Bolsonaro.

A consequência jurídica, contudo, não é automática. Os fatos precisam ser apurados e, em eventual processo eleitoral, submetidos ao contraditório e à análise da Justiça Eleitoral.

O advogado Angelo Ferrero, responsável pela área jurídica da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a iniciativa busca esclarecer eventuais fontes de financiamento e ações destinadas a influenciar o eleitorado brasileiro.

Os citados na representação negam irregularidades. A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou não ter conhecimento dos anúncios apontados pelo PT.

A apuração passa agora a depender da análise das provas que venham a ser obtidas pelas autoridades. O ponto central será verificar se houve efetivamente recursos, serviços ou operações estrangeiras direcionadas à eleição brasileira, quem eventualmente os financiou e se essas ações tiveram relação comprovável com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

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