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Personalidades do mundo cobram de Biden fim do bloqueio à Cuba

Mais de 440 personalidades de todo o mundo assinam carta pública dirigida ao governo Biden contra o embargo a Cuba, publicado no New York Times. Luiz Inácio Lula da Silva puxou a fila de mais de 50 brasileiros entre as mais de 440 personalidades de diferentes países que assinaram a carta pública “Deixe Cuba viver”.

 

 

 

 

O presidente norte-americano Joe Biden encontrou o primeiro obstáculo a seus planos de recrudescimento da perseguição econômica e institucional ao regime cubano, que dura seis décadas. Mais de 440 personalidades de todo o mundo assinam carta pública dirigida ao governo Biden contra o embargo a Cuba, publicado no New York Times. Luiz Inácio Lula da Silva puxou a fila de mais de 50 brasileiros entre as mais de 440 personalidades de diferentes países que assinaram a carta pública “Deixe Cuba viver”.

O jornal publicou a carta como anúncio pago nesta sexta-feira (23), ecoando a iniciativa conjunta das organizações The People’s Forum, CodePink e Answer Coalition. O documento exige a suspensão das 243 medidas unilaterais impostas pelo governo de Donald Trump para intensificar o bloqueio à ilha e que “volte à abertura de Obama, ou melhor ainda, comece o processo de fim do embargo e normalização total das relações entre os Estados Unidos e Cuba”.

A carta é a primeira de uma série que objetiva forçar Biden a recuar de seu projeto. A presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), está entre os signatários brasileiros, juntamente com Chico Buarque, a vereadora Monica Benício (PSOL/RJ), viúva de Marielle Franco, o líder dos Entregadores Antifascistas, Paulo Galo Lima, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O ex-presidente Rafael Correa (Equador) também assina a carta, além de intelectuais como Noam Chomsky, Gayatri Spivak, Roxanne Dunbar-Ortiz, Judith Butler e Cornel West. O movimento Black Lives Matter e atores como Jane Fonda, Susan Sarandon, Danny Glover, Wagner Moura e Mark Ruffalo fazem parte do grupo de políticos, intelectuais, cientistas, clérigos, artistas, músicos, líderes e ativistas que se une às iniciativas internacionais de solidariedade a Cuba.

Desde o último sábado (24), já chegaram ao porto cubano de Mariel cerca de dois milhões de seringas doadas pelo movimento Global Health Partners. A entidade tem a participação de cubano-americanos e norte-americanos, que continuarão arrecadando fundos para também enviar medicamentos como antibióticos, analgésicos, anticoncepcionais e vitaminas aos cubanos.

 

Confira a tradução da íntegra da carta aberta, publicada no New York Times:

“Caro Presidente Joe Biden,

É hora de dar um novo rumo adiante nas relações entre os Estados Unidos da América e Cuba. Nós, abaixo assinados, estamos fazendo este apelo público e urgente a vocês para que o senhor rejeite as políticas cruéis postas em prática pela Casa Branca de Trump, que causaram tanto sofrimento para o povo cubano.

Cuba – um país de onze milhões de habitantes – está passando por uma difícil crise devido à crescente escassez de alimentos e medicamentos. Protestos recentes chamaram a atenção do mundo para isso. A pandemia de Covid-19 se mostrou um desafio para todos os países e o foi ainda mais para uma pequena ilha sob o peso de um embargo econômico.

Consideramos inescrupuloso, especialmente durante uma pandemia, bloquear intencionalmente as remessas e o uso de instituições financeiras globais por parte de Cuba, visto que o acesso a dólares é necessário para a importação de alimentos e medicamentos.

Quando a pandemia atingiu a ilha, seu povo – e seu governo – perderam bilhões em receitas advindas do turismo internacional que normalmente iriam para o sistema público de saúde, distribuição de alimentos e ajuda econômica.

Durante a pandemia, a administração de Donald Trump endureceu o embargo, pôs de lado a abertura de Obama e pôs em prática 243 “medidas coercitivas” que intencionalmente estrangularam a vida na ilha e criaram mais sofrimento.

A proibição de remessas e o fim dos voos comerciais diretos entre os EUA e Cuba são impedimentos ao bem-estar da maioria das famílias cubanas.

“Apoiamos o povo cubano”, você escreveu em 12 de julho. Se é esse o caso, pedimos que você assine imediatamente uma ordem executiva e anule as 243 “medidas coercitivas” de Trump.

Não há razão para manter a política da Guerra Fria que exigia que os EUA tratassem Cuba como um inimigo existencial em vez de um vizinho. Em vez de manter o caminho traçado por Trump em seus esforços para desfazer a abertura do presidente Obama a Cuba, nós contamos com o senhor para seguir em frente. Retomar a abertura e iniciar o processo de encerramento do embargo. Acabar com a severa escassez de alimentos e medicamentos tem que ser a principal prioridade.

Em 23 de junho, a maioria dos estados membros das Nações Unidas votou para solicitar aos EUA para acabar com o embargo. Nos últimos 30 anos, esta tem sido a posição consistente da maioria dos Estados membros. Além disso, sete relatores especiais da ONU escreveram uma carta ao governo dos EUA em abril de 2020 sobre as sanções a Cuba. “Na emergência de pandemia”, eles escreveram , “a falta de vontade do governo dos EUA em suspender as sanções pode levar a um maior risco de sofrimento em Cuba.”

Pedimos que acabe com as “medidas coercitivas” de Trump e retorne à abertura de Obama ou, melhor ainda, inicie o processo de fim do embargo e normalização total das relações entre os Estados Unidos e Cuba.”

 

Biden anunciou novas medidas contra Cuba

No último dia 23 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou, pela 29ª vez, o embargo americano, por 184 votos contra dois: Estados Unidos e Israel. O Brasil, que historicamente votava contra o embargo e se posicionou a favor da resolução em 2019, se absteve. Houve outras duas abstenções: Ucrânia e Colômbia.

Biden parece não se importar com a posição da maioria esmagadora da comunidade internacional. Nesta quinta-feira (22), ele anunciou a imposição de novas sanções contra autoridades e entidades cubanas, por supostos “abusos contra manifestantes”, após as ocorrências de 11 de julho na ilha.

Recentemente, representantes da ultradireita anticubana pediram a Biden “ações concretas” contra Cuba, incluindo uma “intervenção militar” para derrubar o “regime comunista”. Uma de suas principais lideranças, tratado como “chefe do clã da máfia Estefan” pelo jornal cubano Granma, Emilio Estefan exigiu que Washington falasse pouco e “tomasse medidas”. A congressista republicana anticubana María Elvira Salazar foi outra a exigir “intervenção já”.

O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, rejeitou na quinta as “sanções infundadas e caluniosas do governo dos Estados Unidos”. “Ele deveria aplicar a si mesmo a Lei Magnitsky Global para os atos diários de repressão e brutalidade policial que custaram 1.021 vidas em 2020”, disse o chanceler em entrevista coletiva.

Rodríguez questionou a mudança de opinião de Biden, que passou a declarar que Cuba é uma prioridade absoluta para seu governo, ao contrário do que disse em ocasiões anteriores. Para o chanceler, a mudança de discurso lhe fornece argumentos para manter o bloqueio injusto e justifica ações práticas para impor mais sanções.

Ele destacou a preocupação com a manipulação de informações e imagens, com finalidades claramente políticas. Ele deu exemplos de matérias da CNN em espanhol e da Fox, que aplicaram tecnologias sofisticadas para adulterar conteúdos específicos.

Da Redação do PT

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