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segunda-feira, janeiro 26, 2026
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Saída de Lewandowski deve provocar debandada no Ministério da Justiça

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Movimento nos bastidores indica esvaziamento do núcleo duro da pasta

A iminente saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública deve desencadear uma debandada no núcleo central da pasta. Integrantes estratégicos já sinalizaram, em conversas reservadas, que pretendem deixar os cargos junto com o ministro, ampliando a percepção de desgaste político e administrativo no comando da área.

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A expectativa é que Lewandowski deixe o cargo nos próximos dias. Nos bastidores do governo, a avaliação é de que a saída será acompanhada por secretários que concentram o poder decisório do ministério. Pelo menos dois nomes considerados-chave já manifestaram a aliados a intenção de acompanhar o ministro: o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, responsável pela engrenagem administrativa da pasta, e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, figura central na articulação com estados e forças policiais.

Inicialmente, a saída de Lewandowski estava condicionada à aprovação da chamada PEC da Segurança, considerada uma das principais apostas do governo para redefinir o papel da União no combate ao crime organizado. Foto Lula Marques/Agencia Brasil

Outro integrante do alto escalão com saída prevista ainda no primeiro semestre é o secretário de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira. Diferentemente dos demais, sua movimentação tem motivação eleitoral. Ele planeja disputar uma vaga de deputado federal em 2026 e avalia que permanecer no ministério pode limitar sua exposição política e articulação partidária.

Inicialmente, a saída de Lewandowski estava condicionada à aprovação da chamada PEC da Segurança, considerada uma das principais apostas do governo para redefinir o papel da União no combate ao crime organizado. A tramitação lenta da proposta na Câmara, no entanto, alterou o cenário. Interlocutores do Planalto relatam que a decisão de deixar o cargo foi antecipada e pode se concretizar já na sexta-feira (9), após o ministro ter retornado de férias antes do previsto e solicitado uma audiência direta com o presidente Lula.

Ao comunicar a intenção de sair, Lewandowski ouviu de Lula um pedido para que aguardasse até o fim de janeiro ou início de fevereiro, em um movimento que buscaria sincronizar sua saída com a do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dentro de uma reforma ministerial mais ampla. Ainda assim, a decisão foi pactuada recentemente, em meio a uma avaliação interna de perda de força política do ministro e dificuldades de impor sua agenda no Congresso e na opinião pública.

Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024, após a ida de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal. Na posse, prometeu priorizar a segurança pública, o enfrentamento ao crime organizado, delitos digitais e milícias. Ao longo da gestão, o ministério apresentou um pacote legislativo robusto, incluindo a PEC da Segurança e o projeto conhecido como PL Antifacção, ambos ainda em tramitação.

Nos corredores do governo, cresce a defesa de uma reavaliação profunda do desenho institucional da área. Aliados de Lula avaliam que o perfil do comando da Justiça não conseguiu disputar a narrativa da segurança pública com a oposição e com governadores, especialmente em um ambiente de forte pressão midiática e exploração política do tema. Há, inclusive, quem defenda a separação formal entre Justiça e Segurança Pública, criando um ministério exclusivo para a área.

Por outro lado, um grupo dentro do governo sustenta que qualquer mudança estrutural só deve avançar após a aprovação da emenda constitucional que redefine as competências da União na segurança. Sem isso, avaliam, a criação de um novo ministério seria apenas uma reorganização administrativa sem efeito prático.

Controle da Segurança Pública
A saída de Lewandowski expõe uma disputa silenciosa dentro do governo sobre o controle da agenda da segurança pública. O esvaziamento do núcleo duro do ministério ocorre em meio à dificuldade de aprovar projetos no Congresso e à pressão por respostas rápidas à violência. A definição do próximo comando e do desenho institucional da área deve revelar se o Planalto optará por um perfil mais político e midiático ou manterá a aposta em uma condução técnica, mesmo sob desgaste.

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