Autoridades apontam falhas graves na segurança e possível colaboração interna
O sequestro de Nicolás Maduro, retirado do centro do poder venezuelano em menos de 50 minutos, passou a ser explicado nos bastidores políticos do país como resultado direto de traição interna e infiltração estrangeira. A leitura ganhou força entre dirigentes chavistas e setores da esquerda latino-americana diante da rapidez da operação e do colapso total do aparato de segurança que protegia o então presidente.
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Relatos feitos por autoridades e políticos venezuelanos a integrantes do governo brasileiro e a dirigentes partidários indicam que membros das forças de segurança teriam colaborado com a ação que resultou na captura de Maduro. A hipótese dominante é de que informações estratégicas foram repassadas previamente, permitindo que agentes estrangeiros atuassem com precisão cirúrgica no coração do regime.

Segundo esses relatos, Maduro foi retirado de seu bunker sem que houvesse reação relevante das forças armadas ou da defesa aérea, apesar dos investimentos bilionários feitos pela Venezuela nos últimos anos em sistemas de proteção e armamentos adquiridos de aliados como Rússia e Irã. Nenhum sistema de defesa foi acionado durante a operação, o que reforçou a suspeita de sabotagem interna.
Há também uma investigação em curso para apurar se a embarcação usada na retirada de Maduro e de sua esposa transportou, além deles, dissidentes venezuelanos que teriam colaborado diretamente com os norte-americanos. A possibilidade de fuga conjunta alimenta o discurso de infiltração profunda nos círculos de poder e segurança do país.
Falhas no esquema de proteção
Autoridades venezuelanas relataram a interlocutores brasileiros que todo o esquema de segurança do Palácio de Miraflores e da residência presidencial teria sido previamente mapeado. A avaliação interna é de que delatores entregaram aos Estados Unidos plantas de instalações militares, rotinas da escolta presidencial e detalhes técnicos capazes de neutralizar qualquer reação defensiva.
Esse nível de detalhamento explicaria por que a operação ocorreu sem resistência significativa e em tempo extremamente reduzido. O episódio é tratado internamente como uma das maiores derrotas estratégicas do chavismo, especialmente porque o governo sempre sustentou a narrativa de vigilância permanente contra ameaças externas.
Publicamente, a Venezuela evita comentar o colapso do aparato de segurança. O silêncio é visto como tentativa de conter o desgaste institucional e preservar a imagem de um Estado que se dizia preparado para enfrentar uma intervenção estrangeira.
Conversa com Lula e temor regional
Na manhã do sábado seguinte à captura, a presidente interina Delcy Rodríguez conversou diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo relatos, fez um informe objetivo e sem detalhes técnicos: os agentes entraram, derrubaram a escolta e retiraram Maduro em menos de 50 minutos.
Nos bastidores da diplomacia brasileira, não há indícios de que Delcy tenha colaborado com a operação. O principal receio manifestado por interlocutores é a dificuldade de controle interno do país neste momento, com risco de fragmentação das forças políticas e de segurança. O temor é que o vácuo de poder leve a confrontos internos ou até a um cenário de guerra civil, o que poderia abrir espaço para novas ações armadas estrangeiras.
Para o governo brasileiro, a prioridade tem sido evitar qualquer escalada militar na região e conter a instabilidade na Venezuela, considerada um fator de risco direto para a segurança sul-americana.
Traição e infiltração dos EUA
A narrativa de traição e infiltração revela mais do que falhas operacionais: expõe a fragilidade interna do regime venezuelano após anos de centralização de poder e purgas políticas. A rapidez do sequestro de Maduro levantou suspeitas sobre a lealdade das forças de segurança e reacendeu disputas internas que podem definir o futuro do país nos próximos meses.




