Reunião da Executiva expõe tensão sobre federação com PSOL, Senado em São Paulo e estratégia regional

A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores se reuniu nesta segunda-feira (23), na sede estadual da legenda na Lapa, em São Paulo, para definir os primeiros movimentos da estratégia eleitoral de 2026. O ponto mais sensível foi a manutenção da chapa presidencial formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, alvo de divergências internas sobre o futuro da aliança nacional.
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Participaram do encontro lideranças como José Dirceu, o presidente da sigla Edinho Silva, o vice-presidente Jilmar Tatto e o deputado Carlos Zarattini. A defesa mais enfática da manutenção da atual composição partiu de Dirceu, que alertou para riscos eleitorais caso o partido altere a chapa. A leitura predominante foi de que a aliança amplia o alcance político da candidatura e reduz resistências em setores de centro.
São Paulo no centro da estratégia
A disputa ao Senado em São Paulo foi tratada como peça-chave para o desempenho nacional. Edinho relatou articulações em curso e citou a influência de nomes como Simone Tebet e Marina Silva no cenário paulista. O impasse gira em torno do futuro político do ministro Fernando Haddad. A pressão interna é para que ele anuncie até março se disputará cargo em 2026. A avaliação é que a indefinição dificulta alianças e enfraquece a organização no estado, governado por Tarcísio de Freitas.
Outro foco de tensão foi a possível federação com o PSOL. Parte da direção vê na união a chance de ampliar bancada e consolidar o campo progressista no Congresso. Já outro grupo aponta riscos de conflitos regionais e lembra embates recentes, como no debate sobre a Hidrovia do Tapajós. Também foram mencionadas resistências internas no PSOL, incluindo setores ligados a Valério Arcary.
No plano regional, a legenda discutiu apoio a Eduardo Paes no Rio de Janeiro, mesmo com a presença da vice Jane Reis, e a possibilidade de lançar Benedita da Silva ao Senado. No Espírito Santo, foram citadas as pré-candidaturas de Helder Salomão e Fabiano Contarato. Lideranças também alertaram para fragilidade estrutural do partido na região Norte.
A reunião incluiu autocrítica sobre a perda de base social na Região Metropolitana de São Paulo e falhas na comunicação das ações federais, como entregas do Minha Casa, Minha Vida e financiamentos do BNDES. A direção avaliou que é preciso reforçar a associação entre políticas públicas e resultados concretos para o eleitorado urbano.
Ao final, ficou estabelecida a meta de apresentar definições mais claras até o início de março. O encontro revelou um partido em busca de equilíbrio entre unidade nacional, reorganização em São Paulo e articulações regionais, mantendo a chapa Lula-Alckmin como eixo central da estratégia para 2026.




