Campinas dá mais um passo na construção de uma cidade ainda mais acessível e inclusiva. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Transportes e da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), inicia, neste sábado, dia 3 de dezembro, a operação de um semáforo especial destinado à travessia de deficientes visuais.
O equipamento, terceiro no município com essa característica, está implantado no coração da cidade, no cruzamento entre a Rua 13 de Maio com a Avenida Francisco Glicério. O local tem características bem peculiares. A 13 de Maio, com 750 metros de extensão, é a principal rua comercial da cidade. De acordo com dados da Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), nela estão instaladas 110 lojas; e circulam, diariamente, 95 mil pessoas. Nessa época de compras de fim de ano (Natal e Ano Novo), a circulação aumenta para 145 mil pessoas por dia.
Já a Avenida Francisco Glicério concentra o coração financeiro da cidade, com várias agências bancárias; além de postos de serviços importantes, como os Correios e Poupatempo; da Catedral Metropolitana; e lojas. Por ela circulam, diariamente, cerca de 24 mil veículos. A via tem 2,4 quilômetros de extensão.
Cabe destacar que o cruzamento já possui semáforo para travessia de pedestres, inclusive contendo temporizador com contagem na regressiva. Agora, o equipamento recebe botoeiras especiais com inscrições em Braile e aviso sonoro.
Este é o terceiro semáforo destinado à travessia de cegos que entra em operação na cidade. No fim de dezembro de 2010, a EMDEC colocou em operação de um semáforo com essas características em frente ao Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores, na Avenida Washington Luis, no Jardim Leonor. O primeiro semáforo sonoro foi implantado em 2001, em frente ao Centro Cultural Louis Braille, na Avenida Antônio Carlos Salles Júnior, no Jardim Proença.
Para o secretário de Transportes e presidente da EMDEC, Sérgio Torrecillas, “a data escolhida para o início da operação do semáforo sonoro também tem dois significados importantes: 3 de dezembro é o Dia Internacional do Deficiente Físico; e, também, é o primeiro fim de semana deste mês de dezembro, período em que começa a corrida para as compras”.
Devanir de Lima, de 40 anos, faz parte do Centro Louis Braille e é vice-presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. Cego desde os 11 anos, devido a uma inflamação no nervo óptico, ele testou e aprovou o novo semáforo. “É muito bom e o som emitido, mesmo em uma avenida movimentada como a Francisco Glicério, é bem audível. Ações como essas são excelentes, porque nos proporcionam mais liberdade, mais independência”.
De acordo com o Censo Demográfico de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,5% da população brasileira apresentava algum tipo de deficiência. Desse total, 82% eram cegos. Em números absolutos, existiam no país 148 mil pessoas cegas e 2,4 milhões com grande dificuldade de enxergar. Do total de cegos, 77.900 eram mulheres; e 70.100, homens.
Funcionamento
O semáforo do cruzamento da Rua 13 de Maio com a Avenida Francisco Glicério recebeu duas botoeiras especiais para a travessia de cegos. A botoeira de acionamento tem inscrições em Braile, que indicam que o usuário deve acionar o dispositivo por três segundos.
Após o acionamento, quando a indicação luminosa fica no “vermelho” (Pare) para os motoristas e no “verde” (Siga) para os pedestres, a botoeira emite uma frequência sonora. A intensidade do som vai se alterando, conforme o tempo de travessia está se esgotando, até tornar-se intermitente e acabar.
Mais melhorias
Além da implantação do semáforo especial para a travessia de cegos no cruzamento da Rua 13 de Maio com a Avenida Francisco Glicério, a EMDEC também promoveu uma série de ações no local, para aumentar a segurança de pedestres e motoristas.
As sinalizações verticais (placas) e horizontais (pintura de solo) foram recuperadas e reforçadas; bem como as duas rampas acessíveis e o piso tátil.
No braço semafórico voltado para os motoristas também foram implantadas duas placas de advertência com a indicação “Atenção Travessia de Cegos”.
O investimento da EMDEC com as botoeiras e todas as melhorias no local foi de cerca de R$ 7 mil reais.




