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terça-feira, fevereiro 24, 2026
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Crise do Banco Master expõe suspeitas sobre o comando de Campos Neto e abre caminho para investigação criminal sobre omissão dolosa

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Alertas ignorados, normas que aliviaram riscos, conexões políticas e omissões regulatórias formam o pano de fundo da crise que abriu um rombo bilionário no sistema financeiro

A implosão do Banco Master não derrubou apenas uma instituição financeira: colocou o Banco Central no centro da cena e abriu uma zona de sombra sobre a conduta de Roberto Campos Neto durante a escalada de risco da instituição. À medida que surgem relatórios, notas técnicas e comunicações internas ignoradas, cresce a pressão para que Polícia Federal, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União investiguem se a omissão foi apenas erro institucional — ou se configurou proteção política a um banco ligado a figuras de extrema influência no antigo governo.

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Colapso da Master

A trilha que conduz ao colapso do Master está cheia de sinais luminosos. A maior parte deles foi vista pelo mercado, pelo Fundo Garantidor de Créditos, por grandes bancos e até por técnicos do próprio Banco Central. O único que parece não ter visto — ou escolhido não ver — foi o próprio regulador.

Como a Gestão Campos Neto Permitiu a Escalada de Risco que Implodiu o Banco Master. Foto Raphael Ribeiro/BCB

Fontes próximas ao FGC confirmam que dezenas de comunicados oficiais foram enviados ao BC, alertando para inconsistências nas carteiras de crédito do Master, no perfil de risco dos ativos e na explosão de captação. Nada que justificasse o silêncio. Muito menos a demora.

https://twitter.com/renancalheiros/status/1985830728156827657?s=20

Mas o buraco é mais fundo: além de ignorar os alertas, o BC adotou uma norma regulatória em 2023 que, na prática, blindou o Master de exigências que teriam estourado sua contabilidade meses antes da crise. A medida criou um marco temporal que tirou pressão justamente das instituições com carteiras recheadas de ativos duvidosos — categoria na qual o Master se encaixava perfeitamente.

No mercado, a norma ficou conhecida como “o salvo-conduto”.

Quem apertava o cerco e quem abria a porteira para Daniel Vorcaro?

O nome de Daniel Vorcaro — o banqueiro que prometia aportes árabes mirabolantes, vendia títulos com rentabilidade inalcançável e é acusado de vender carteiras fictícias — não circulava sozinho em Brasília.

https://twitter.com/lindberghfarias/status/1803524846665818575?s=20

Ele era próximo de figuras do núcleo duro político do governo Bolsonaro, especialmente de Ciro Nogueira, senador e ex-ministro-chefe da Casa Civil — um dos aliados mais próximos de Roberto Campos Neto.

https://twitter.com/BacurauA/status/1990754622793974004?s=20

A fotografia de 2021, em clima de confraternização, não é irrelevante. No mundo financeiro, política e crédito andam lado a lado. E nesse caso, as agendas também.

Nogueira:

  • apadrinhou politicamente Vorcaro;
  • participou de negociações em Brasília que viabilizariam a expansão do Master;
  • pressionou pela ampliação do limite de cobertura do FGC para R$ 1 milhão — justamente o mecanismo que sustentava a captação agressiva de pequenos e médios bancos como o Master.

A proposta foi rejeitada pelas entidades bancárias sérias do país. Mas deixou registrado o movimento.

Nas palavras de um executivo ouvido off the record:

“O Master não cresceu sozinho. Ele cresceu porque deixou. E quem deixou tinha nome e cargo.”

Quando a omissão tem que ser investigada

A linha entre falha técnica e omissão dolosa é tênue — e criminalmente relevante.

A legislação brasileira prevê responsabilidade administrativa e criminal quando o agente público:

  • ignora alertas formais;
  • edita normas que favorecem sujeitos específicos;
  • deixa de agir diante de risco sistêmico evidente;
  • atua de forma incompatível com o interesse público.

À medida que a PF rastreia as operações fraudulentas do Master — carteiras fictícias, substituição de ativos sem lastro, documentos adulterados e emissões irregulares — surge um novo foco:

https://twitter.com/BacurauA/status/1990754622793974004?s=20

o papel ativo ou passivo do Banco Central como ente facilitador involuntário (ou não) da fraude.

O MPF já avalia diligências que podem incluir:

  • requisição da íntegra das comunicações entre FGC e BC;
  • análises de normas editadas em período crítico;
  • identificação de pressões políticas atípicas;
  • avaliação da conduta omissiva como possível crime;
  • eventual responsabilização pessoal de gestores.

Banco Central validou as operações que a PF aponta como fraudulentas?

Trechos da Representação Criminal revelam que o Banco Central aceitou, como válidas, operações de cessão de crédito que, segundo os laudos, eram simuladas ou lastreadas em empresas “de fachada”.

https://twitter.com/Ellocohumaita/status/1991131933414228046?s=20

Investigadores encontraram:

  • datas incompatíveis entre contratos e constituição das empresas;
  • assinaturas supostamente falsificadas;
  • registros contábeis retroativos;
  • operações sem histórico financeiro mínimo.

E tudo isso passou pelo crivo regulatório.

A pergunta que orienta a nova fase da investigação é direta:

Quem, dentro do Banco Central, chancelou documentos que hoje são apontados como prova de fraude?

Gestão de Campos Neto

1. Polícia Federal

  • Perícia nos atos normativos editados entre 2022 e 2023;
  • rastreamento de comunicações entre reguladores e o Master;
  • apuração de eventual influência política externa;
  • conexão entre normas e expansão das emissões do banco.

2. Ministério Público Federal

  • enquadramento da omissão como improbidade e/ou conduta dolosa;
  • análise do impacto financeiro da norma de 2023;
  • obtenção de depoimentos de ex-diretores do BC;
  • investigação de reuniões não registradas oficialmente.

3. Tribunal de Contas da União

  • auditoria sobre supervisão bancária;
  • identificação de falhas sistêmicas nas linhas de defesa do BC;
  • responsabilização pessoal de dirigentes públicos;
  • análise da compatibilidade da conduta com padrões internacionais de compliance regulatório.

4. Banco Central (atual gestão)

  • sindicâncias internas;
  • revisão de normas suspeitas;
  • colaboração com PF e MPF;
  • identificação de técnicos que emitiram pareceres fora da curva.

O incêndio no Master não começou na última semana. Ele ardeu lentamente, à vista de todos, enquanto alertas se acumulavam sobre a mesa do Banco Central — e viravam pó. O que diferencia descuido de negligência grave é o impacto. E o impacto aqui foi sistêmico.

O Banco Central falhou — ou alguém garantiu que ele falhasse?

É esse o ponto em que a crise deixa de ser apenas econômica e entra no território da responsabilização criminal.

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