Decisão aponta ilegalidade no prazo da prisão temporária; Polícia Federal tenta manter investigados detidos com pedido de preventiva

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O Superior Tribunal de Justiça determinou nesta quinta-feira (23) a soltura dos artistas MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e do influenciador Raphael Sousa Oliveira, presos desde o dia 15 em uma operação da Polícia Federal. A decisão foi tomada pelo ministro Messod Azulay Neto, que considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias.
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Até a suspensão, os investigados eram apontados pela Polícia Federal como integrantes de um esquema suspeito de lavar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de apostas ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e envio de recursos ao exterior. Após as prisões, a PF apresentou pedido de conversão em prisão preventiva, alegando risco à ordem pública e possibilidade de continuidade das atividades criminosas.
Decisão judicial e efeito em cadeia
Na decisão, o ministro destacou que a própria Polícia Federal havia solicitado inicialmente prisão temporária por cinco dias, prazo já encerrado, e que a ampliação para 30 dias não teria respaldo legal no caso concreto. O habeas corpus foi concedido inicialmente a MC Ryan SP, mas teve extensão automática a outros investigados na mesma operação que se encontram em situação semelhante, incluindo artistas e influenciadores digitais.
A defesa de MC Ryan SP, representada pelo advogado Felipe Cassimiro, afirmou em nota: “a consequência natural e jurídica desta decisão é a revogação da prisão, medida que decorre diretamente do reconhecimento do erro no prazo fixado”. Em rede social, o advogado também comemorou a decisão: “Fizemos história. Obrigado, Deus!”
Estrutura do suposto esquema e investigações anteriores
As investigações que embasaram a operação tiveram origem em apurações anteriores da Polícia Federal, como as operações Narco Vela e Narco Bet, deflagradas em 2025. Segundo os investigadores, a análise de dados armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado revelou indícios de uma organização estruturada para lavagem de capitais em larga escala.
De acordo com a PF, o grupo teria atuação dividida por funções, incluindo captação de recursos ilícitos, internalização de valores, armazenamento e redistribuição de dinheiro em espécie e ativos digitais. A investigação aponta ainda conexões entre o mercado informal de apostas online e outras práticas criminosas, o que amplia o alcance e a complexidade do caso.
Apesar da decisão do STJ, o processo segue em andamento, e a análise do pedido de prisão preventiva pode redefinir a situação dos investigados nos próximos dias, mantendo o caso sob atenção de autoridades judiciais e órgãos de investigação.




