Presidente brasileiro discursou na Hannover Messe, criticou conflitos no Oriente Médio e cobrou regras comerciais mais justas para biocombustíveis

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (19), em Hannover, que o Brasil busca ampliar parcerias com a Europa para promover uma matriz energética limpa e, ao mesmo tempo, proteger empregos diante do avanço da inteligência artificial. A declaração foi feita durante a abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, com presença de autoridades e empresários, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz.
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Durante o discurso, Lula destacou que o Brasil pode contribuir para reduzir custos energéticos na União Europeia por meio de sua matriz limpa e defendeu que regras comerciais reconheçam essa vantagem. O presidente também criticou o que chamou de “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira e afirmou que barreiras a biocombustíveis prejudicam tanto o meio ambiente quanto a segurança energética global.
Geopolítica e economia global
Lula classificou como “maluquice” os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, apontando impactos diretos na economia global. Segundo ele, a alta do petróleo pressiona custos de energia e transporte, além de provocar escassez de fertilizantes, afetando a produção agrícola e ampliando a insegurança alimentar, sobretudo entre populações mais vulneráveis.
O presidente também criticou o volume de gastos militares no mundo, estimado em US$ 2,7 trilhões, e cobrou maior პასუხისმგabilidade dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — na busca por soluções diplomáticas.
Emprego e inteligência artificial
Ao abordar o avanço tecnológico, Lula alertou para os riscos sociais da inteligência artificial. Segundo ele, embora a tecnologia aumente a produtividade, também pode ser utilizada sem parâmetros éticos, inclusive em contextos militares. O presidente defendeu que empresas e centros de pesquisa considerem os impactos no mercado de trabalho.
“Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso lembrar que por trás de cada invenção há um ser humano”, afirmou. Ele também mencionou a defesa do fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho como forma de garantir melhores condições aos trabalhadores.
Comércio internacional e interesses estratégicos
Lula afirmou que o cenário global exige a reformulação da Organização Mundial do Comércio, que classificou como paralisada. Nesse contexto, destacou o acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve criar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e movimentar um PIB estimado em US$ 22 trilhões.
A fala ocorre em um momento de negociações sensíveis, em que países europeus pressionam por exigências ambientais mais rígidas, enquanto o Brasil busca ampliar acesso a mercados. Especialistas apontam que há interesses industriais e agrícolas em disputa, especialmente no setor de biocombustíveis e commodities.
Energia, mineração e indústria
O presidente destacou que 90% da energia elétrica brasileira é limpa e citou o potencial do país para produzir hidrogênio verde a baixo custo. Também mencionou reservas minerais estratégicas, como nióbio, grafita, terras raras e níquel, defendendo parcerias internacionais com transferência de tecnologia, e não apenas exportação de matéria-prima.
Segundo Lula, o Brasil pretende avançar em um programa que combine economia verde e indústria 4.0 a partir de 2026. Ele também reafirmou o compromisso de zerar o desmatamento na Amazônia até 2030 e apresentou dados de redução recentes.
Nos bastidores, analistas avaliam que o discurso busca reposicionar o Brasil como fornecedor estratégico de energia limpa e insumos industriais em um cenário de transição energética global, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar pressões comerciais e ambientais vindas da Europa.




