Nota do sindicato afirma que ataques fragilizam instituições em meio a disputa sobre autonomia do BC
Funcionários do Banco Central ampliam a defesa institucional em torno das investigações relacionadas ao caso Master. Em nota divulgada pelo SINAL, sindicato da categoria, servidores reagem a críticas veiculadas por veículos de comunicação e contestam insinuações de favorecimento ao controlador do banco liquidado, Daniel Vorcaro. O documento sustenta que os servidores atuam sob regras do serviço público e repudia a tentativa de vincular a autarquia a pressões políticas, eleitorais ou de mercado.

A manifestação ocorre após repercussão de reportagens que atribuem ao diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino Santos, proximidade com executivos do Master. A versão citada por colunistas afirma que Aquino seria alinhado aos interesses de Vorcaro, embora não figure como investigado no inquérito. Segundo o sindicato, a insistência em associar sua participação técnica a supostos interesses privados contribui para alimentar interpretações equivocadas sobre o papel da fiscalização no desfecho da liquidação.
A liquidação do Master foi aprovada por unanimidade pela diretoria colegiada do BC em novembro, após veto à venda do banco ao BRB. Aquino participou da votação. Para os servidores, o processo seguiu o rito técnico previsto na legislação, em meio a pressões públicas e contestação de versões. A presença de integrantes da autarquia em depoimentos no STF é tratada como cumprimento de dever funcional, não como indicativo de suspeição.
As críticas de entidades representativas do setor financeiro ao teor de alguns depoimentos foram recebidas com reserva dentro do BC. O sindicato afirma que a criação de antagonismos artificiais entre STF e BC traz risco de descrédito institucional e expõe o sistema financeiro a leitura especulativa. O posicionamento cita ainda a exposição recorrente dos servidores a pressões diversas, classificadas como inerentes à função pública.
A disputa sobre o futuro do BC ganha contornos paralelos à apuração. O sindicato identifica vínculo entre o episódio e a pressão por tramitação da PEC 65/2023, que prevê autonomia orçamentária e financeira para a autarquia. Defensores da mudança argumentam que a independência reduziria interferências externas; opositores afirmam que a medida alteraria o regime jurídico dos servidores e aproximaria o modelo brasileiro ao de bancos centrais com natureza privada. A proposta é vista por parte do funcionalismo como risco à estabilidade institucional.
No núcleo das tensões, a participação de membros da diretoria ligados a nomes de destaque no mercado financeiro, como o diretor Renato Gomes, é frequentemente citada por críticos da PEC. A leitura é de que mudanças estruturais aceleradas no BC poderiam alterar o equilíbrio entre interesse público e atuação regulatória. Oficialmente, não há confirmação de articulação interna pela aprovação da PEC, mas o tema se impõe como pano de fundo do debate.
A nota do sindicato também reforça que eventuais responsabilidades no caso Master devem ser definidas nas instâncias competentes e que os servidores confiam no esclarecimento dos fatos. O processo tramita sob sigilo, com etapas sob autorização do ministro Dias Toffoli. Há expectativa de novos depoimentos, cruzamento de registros internos e análise dos atos que antecederam a liquidação.
Conexões políticas, pressões e a disputa pela PEC 65
A tramitação da PEC 65 se tornou objeto de mobilização de setores do mercado e de resistência de servidores de carreira. Entre os defensores, articuladores próximos a ex-dirigentes do BC atuam pela aprovação. O alinhamento entre interesses privados e mudanças regulatórias é apontado por críticos como fator de atenção. Servidores argumentam que o afastamento do BC do regime público poderia fragilizar a proteção institucional e afetar o controle sobre eventuais conflitos de interesse. A disputa ocorre em ambiente de investigação sensível e aumenta o escrutínio sobre decisões da diretoria colegiada.




