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quarta-feira, fevereiro 4, 2026
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Maioria dos imigrantes presos nos EUA não tem antecedentes criminais e detenções disparam sob Trump

Data:

Dados mostram que política migratória ampliou prisões em massa e favoreceu empresas privadas de detenção

Levantamento do banco de dados Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), da Universidade de Syracuse, aponta que 73% dos cerca de 68 mil imigrantes detidos nos Estados Unidos no fim de 2025 não possuíam antecedentes criminais. O dado contraria o discurso oficial do governo Donald Trump, que sustenta que as operações do Serviço de Alfândega e Imigração (ICE) têm como foco criminosos considerados ameaça à segurança pública.

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Segundo o TRAC, mesmo entre os imigrantes com registros, muitos foram condenados apenas por delitos leves, como infrações de trânsito. Ainda assim, o número de prisões cresceu de forma acelerada no segundo mandato de Trump. Cálculo do Conselho Americano de Imigração indica que a detenção de imigrantes sem antecedentes criminais aumentou 2.450% no período.

Entre janeiro e 18 de dezembro de 2025, 30 pessoas morreram sob custódia do ICE, Foto Guarda Nacional da Califórnia/Wikimedia Commons

Prisão como estratégia de deportação

De acordo com o Conselho Americano de Imigração, as detenções vêm sendo usadas como mecanismo de pressão para forçar imigrantes a aceitarem a deportação voluntária, abrindo mão de audiências e processos de regularização. Em novembro de 2025, para cada pessoa liberada da custódia do ICE enquanto aguardava julgamento, outras 14,3 foram deportadas diretamente. Em dezembro de 2024, essa proporção era de 1,6 para 1.

O relatório aponta ainda que o total de imigrantes presos subiu 75% no segundo governo Trump, saltando de cerca de 40 mil para 68 mil pessoas, com projeção de alcançar 100 mil detenções no início de 2026. As operações passaram a incluir batidas indiscriminadas em locais de trabalho, patrulhas itinerantes e prisões chamadas de colaterais, que atingem pessoas sem histórico criminal e que compareciam regularmente às audiências judiciais.

O caso do influenciador brasileiro Júnior Pena ilustra o cenário. Com quase um milhão de seguidores nas redes sociais, ele se tornou conhecido por produzir conteúdos sobre a vida de imigrantes nos EUA e defender publicamente as políticas migratórias de Trump. Pena foi detido após não comparecer a uma audiência relacionada ao seu processo de imigração. Segundo relato de um amigo que vive na Flórida, ele teria entrado no país de forma irregular. Antes da prisão, o influenciador afirmava que apenas “bandidos” eram alvo do ICE.

O estudo do Conselho também mostra que as liberações discricionárias despencaram. Entre janeiro e 29 de novembro de 2025, esse tipo de liberação caiu 87%, ao mesmo tempo em que prisões em massa cresceram 600%. O pagamento de fiança também se tornou mais difícil para imigrantes detidos.

Outro ponto destacado é o crescimento do setor privado ligado ao encarceramento. No início de 2025, cerca de 90% dos imigrantes presos pelo ICE estavam em centros administrados por empresas privadas. O número de instalações utilizadas para detenção aumentou 91% ao longo do ano, com a incorporação de 104 novos centros até o fim de novembro. O orçamento do ICE triplicou no atual governo, impulsionando o faturamento dessas empresas.

O aumento acelerado das detenções também agravou as condições dos centros de custódia. Entre janeiro e 18 de dezembro de 2025, 30 pessoas morreram sob custódia do ICE, número superior ao registrado durante a pandemia de covid-19. No Texas, centros de detenção chegaram a ser colocados em quarentena após registros de sarampo, em meio à alta da doença no país.

O relatório aponta ainda que a transferência frequente de imigrantes entre estados dificulta o contato com familiares e advogados. Pessoas detidas em uma localidade reaparecem a milhares de quilômetros de distância ou são deportadas rapidamente para outros países, muitas vezes sem condições de contestar judicialmente as decisões do ICE.

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