Ex-primeira-dama evitou defender senador após revelações sobre relação com ex-banqueiro Daniel Vorcaro e reforçou sinais de distanciamento político dentro do núcleo bolsonarista

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A reação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao ser questionada sobre a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, aprofundou nesta terça-feira (19) as especulações sobre disputas internas no bolsonarismo às vésperas da corrida presidencial de 2026.
Ao deixar um evento político em Brasília, Michelle sorriu ao ser perguntada sobre o impacto do caso na pré-campanha presidencial do enteado e evitou sair em sua defesa. “Sobre Flávio, você tem que perguntar pra ele”, respondeu brevemente aos jornalistas.
Mais cedo, em declaração à imprensa, a ex-primeira-dama já havia indicado que não pretendia entrar na crise. “Não estou me metendo nisso não. Tenho que cuidar do meu marido”, afirmou, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Caso Vorcaro abala pré-campanha
O desgaste político ganhou força após reportagens revelarem conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolvendo suposto financiamento milionário para o filme “Dark Horse”, produção baseada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo as informações divulgadas, a negociação teria alcançado R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões já teriam sido desembolsados pelo ex-banqueiro. Após a repercussão, Flávio admitiu ter buscado apoio financeiro de Vorcaro, mas sustentou que se tratava de uma iniciativa privada ligada à produção audiovisual sobre o pai.
O senador também confirmou ter visitado Vorcaro em uma mansão em São Paulo após a primeira prisão do empresário, alegando que o encontro ocorreu para comunicar o encerramento das tratativas financeiras diante da gravidade das denúncias envolvendo o ex-controlador do banco.
Nos bastidores do PL, aliados admitem preocupação com o impacto do caso sobre a viabilidade eleitoral de Flávio. O episódio ampliou dúvidas sobre sua capacidade de unificar o campo bolsonarista e manter apoio do empresariado conservador em meio ao avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.
Disputa pelo espólio político de Bolsonaro
O silêncio de Michelle diante da crise foi interpretado por setores do bolsonarismo como sinal de distanciamento político. A relação entre a ex-primeira-dama e os filhos de Bolsonaro é marcada historicamente por disputas internas por influência, protagonismo eleitoral e controle do capital político deixado pelo ex-presidente.
Embora a cúpula do partido ainda mantenha oficialmente o nome do senador como prioridade, dirigentes reconhecem reservadamente que Michelle possui menor rejeição eleitoral e melhor desempenho junto ao eleitorado feminino e evangélico.
A crise também abriu espaço para rumores e especulações dentro do entorno bolsonarista. Em grupos políticos ligados à direita, circularam comentários sem comprovação atribuindo a Michelle ou a pessoas próximas dela possível participação indireta no vazamento das informações envolvendo Flávio e Vorcaro. Até o momento, porém, não existe prova pública, investigação oficial ou elemento concreto que sustente essa hipótese.




