Empresas ligadas à produtora de “Dark Horse” não têm histórico de lançamentos no mercado audiovisual e caso amplia pressão política e judicial sobre financiamento do longa

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A Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, não possui histórico de lançamentos no cinema, televisão aberta ou plataformas audiovisuais, segundo registros da Agência Nacional do Cinema.
A produtora pertence à jornalista Karina Ferreira da Gama, que entrou no projeto por meio do deputado federal Mario Frias, apontado como roteirista do longa-metragem.
Além da Go Up, outras duas empresas vinculadas a Karina — a Go7 Assessoria e o Instituto Conhecer Brasil — também não registram obras lançadas, segundo levantamento divulgado pelo jornal O Globo.
Estrutura do projeto gera questionamentos
Os dados ampliaram questionamentos nos bastidores políticos e do setor audiovisual sobre a estrutura empresarial criada para viabilizar “Dark Horse”, especialmente após o senador Flávio Bolsonaro admitir ter articulado captação de recursos junto ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo informações já divulgadas, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões ao projeto audiovisual, valor considerado elevado mesmo em comparação com produções brasileiras recentes de grande porte.
De acordo com a Ancine, a Go Up obteve registro regular em julho de 2025, após alteração de objeto social na Junta Comercial de São Paulo. Apesar disso, a produtora ainda não registrou oficialmente “Dark Horse” na agência reguladora.
Karina Ferreira afirma que o dinheiro para o projeto começou a chegar em março de 2025, vindo de um fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto, no Texas, nos Estados Unidos.
A produtora sustenta que a obra já consumiu aproximadamente US$ 13 milhões — cerca de R$ 65 milhões — em custos de produção e pós-produção.
Orçamento acima da média do cinema nacional
O valor informado supera orçamentos de produções brasileiras recentes de forte repercussão comercial e internacional. Segundo dados divulgados pela própria produção, “Dark Horse” teria custo superior ao de filmes como “O Agente Secreto”, estimado em R$ 28 milhões, e “Ainda Estou Aqui”, com orçamento em torno de R$ 45 milhões.
O longa é estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido pelo filme “A Paixão de Cristo” e por posições públicas alinhadas ao conservadorismo dos Estados Unidos. O elenco também inclui Esai Morales, da franquia “Missão: Impossível”.
Segundo Karina Ferreira, o projeto inicialmente teria orçamento ainda maior, mas precisou sofrer cortes durante a produção.
“O projeto tinha um orçamento ainda maior. A gente cortou muitas cenas”, afirmou.
A produtora também declarou que não participou diretamente da captação de recursos e disse desconhecer a identidade de outros investidores além de Daniel Vorcaro.
Pressão jurídica e eleitoral
O caso passou a ganhar dimensão política e jurídica após aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionarem o Tribunal Superior Eleitoral para tentar impedir a estreia do filme antes das eleições de 2026.
Nos bastidores, adversários do bolsonarismo avaliam que a produção pode funcionar como peça de propaganda eleitoral antecipada em favor do grupo político ligado ao ex-presidente.
Além disso, o ministro Flávio Dino abriu apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal para investigar possíveis conexões entre emendas parlamentares e entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama.
As investigações ainda estão em fase inicial e, até o momento, não houve denúncia formal ou conclusão judicial sobre irregularidades envolvendo o financiamento do filme.




