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quarta-feira, maio 20, 2026
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Produtora de filme sobre Bolsonaro nunca produziu filmes, mostram registros da Ancine

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Empresas ligadas à produtora de “Dark Horse” não têm histórico de lançamentos no mercado audiovisual e caso amplia pressão política e judicial sobre financiamento do longa

O caso passou a ganhar dimensão política e jurídica após aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionarem o Tribunal Superior Eleitoral para tentar impedir a estreia do filme antes das eleições de 2026. Foto Reprodução

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A Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, não possui histórico de lançamentos no cinema, televisão aberta ou plataformas audiovisuais, segundo registros da Agência Nacional do Cinema.

A produtora pertence à jornalista Karina Ferreira da Gama, que entrou no projeto por meio do deputado federal Mario Frias, apontado como roteirista do longa-metragem.

Além da Go Up, outras duas empresas vinculadas a Karina — a Go7 Assessoria e o Instituto Conhecer Brasil — também não registram obras lançadas, segundo levantamento divulgado pelo jornal O Globo.

Estrutura do projeto gera questionamentos

Os dados ampliaram questionamentos nos bastidores políticos e do setor audiovisual sobre a estrutura empresarial criada para viabilizar “Dark Horse”, especialmente após o senador Flávio Bolsonaro admitir ter articulado captação de recursos junto ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo informações já divulgadas, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões ao projeto audiovisual, valor considerado elevado mesmo em comparação com produções brasileiras recentes de grande porte.

De acordo com a Ancine, a Go Up obteve registro regular em julho de 2025, após alteração de objeto social na Junta Comercial de São Paulo. Apesar disso, a produtora ainda não registrou oficialmente “Dark Horse” na agência reguladora.

Karina Ferreira afirma que o dinheiro para o projeto começou a chegar em março de 2025, vindo de um fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto, no Texas, nos Estados Unidos.

A produtora sustenta que a obra já consumiu aproximadamente US$ 13 milhões — cerca de R$ 65 milhões — em custos de produção e pós-produção.

Orçamento acima da média do cinema nacional

O valor informado supera orçamentos de produções brasileiras recentes de forte repercussão comercial e internacional. Segundo dados divulgados pela própria produção, “Dark Horse” teria custo superior ao de filmes como “O Agente Secreto”, estimado em R$ 28 milhões, e “Ainda Estou Aqui”, com orçamento em torno de R$ 45 milhões.

O longa é estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido pelo filme “A Paixão de Cristo” e por posições públicas alinhadas ao conservadorismo dos Estados Unidos. O elenco também inclui Esai Morales, da franquia “Missão: Impossível”.

Segundo Karina Ferreira, o projeto inicialmente teria orçamento ainda maior, mas precisou sofrer cortes durante a produção.

“O projeto tinha um orçamento ainda maior. A gente cortou muitas cenas”, afirmou.

A produtora também declarou que não participou diretamente da captação de recursos e disse desconhecer a identidade de outros investidores além de Daniel Vorcaro.

Pressão jurídica e eleitoral

O caso passou a ganhar dimensão política e jurídica após aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionarem o Tribunal Superior Eleitoral para tentar impedir a estreia do filme antes das eleições de 2026.

Nos bastidores, adversários do bolsonarismo avaliam que a produção pode funcionar como peça de propaganda eleitoral antecipada em favor do grupo político ligado ao ex-presidente.

Além disso, o ministro Flávio Dino abriu apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal para investigar possíveis conexões entre emendas parlamentares e entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama.

As investigações ainda estão em fase inicial e, até o momento, não houve denúncia formal ou conclusão judicial sobre irregularidades envolvendo o financiamento do filme.

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