Levantamento mostrou desempenho do petista contra bolsonarista após escândalo ‘Dark Horse’

A primeira pesquisa eleitoral do instituto Real Time Big Data após o estouro do escândalo “Dark Horse” — que expôs áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociando valores milionários com o banqueiro Daniel Vorcaro —, divulgada nesta segunda-feira (1º de junho), aponta que o presidente Lula (PT) lidera a corrida presidencial. No primeiro turno, o atual mandatário mantém uma base sólida de 38% do eleitorado, abrindo uma vantagem de sete pontos percentuais contra qualquer um dos demais candidatos. O levantamento testou diferentes cenários para medir a força das forças populares contra a articulação da direita e da extrema-direita no país.
Em uma simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o petista aparece com 45% das intenções de voto contra 40% do parlamentar fluminense. A vantagem de cinco pontos supera a margem de erro e impõe um revés ao clã Bolsonaro: no levantamento anterior, realizado em maio, o senador vencia por 44% a 43%.
A queda do candidato da extrema-direita reflete o impacto político imediato das denúncias de lavagem de dinheiro envolvendo a cinebiografia de seu pai, cujo financiamento internacional agora é alvo de pedido de investigação por meio da Interpol. Brancos e nulos somam 8% nesse cenário, enquanto 7% não souberam ou não responderam.
Apesar da liderança contra o esquema bolsonarista, as forças progressistas enfrentam resistência real diante de outros nomes da burguesia e do agronegócio. Nos confrontos de segundo turno contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD-GO), o cenário é de empate técnico absoluto, com ambos marcando 43% das intenções de voto.
O mesmo padrão de equilíbrio se repete contra o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo-MG), que pontua 40% contra 43% de Lula, diferença que também se enquadra no limite da margem de erro. Em patamares inferiores, Renan Santos (Missão) e Aécio Neves (PSDB-MG) registram, respectivamente, 30% e 23% em suas simulações.
“Os dados revelam que o eleitorado começa a cobrar o preço dos escândalos de corrupção transnacional da família Bolsonaro, mas o avanço das candidaturas da direita tradicional e do Novo mostra que o poder econômico dominante continua articulado para tentar frear a agenda social”, analisou um cientista político ouvido pela reportagem.
O levantamento da Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre os dias 29 e 30 de maio. A pesquisa conta com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05864/2026.




