AlimentosIPCA registra o menor resultado mensal desde outubro de 2025; alimentação tem primeira deflação em sete meses e ajuda a reduzir a inflação acumulada em 12 meses.
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A inflação oficial do país desacelerou para 0,16% em junho, o menor índice mensal desde outubro de 2025, impulsionada principalmente pela queda nos preços dos alimentos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado representa a quarta desaceleração consecutiva do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, a inflação havia sido de 0,58%. No acumulado de 12 meses, o índice recuou de 4,72% para 4,64%, permanecendo acima da meta contínua de inflação, cujo teto é de 4,5%.
O resultado também ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro. O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, projetava inflação de 0,32% para o mês de junho.
ALIMENTAÇÃO
O grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,24%, exercendo a maior influência para a desaceleração do índice. A alimentação no domicílio ficou 0,39% mais barata, registrando a primeira deflação do setor desde novembro de 2025.
Entre os produtos que mais contribuíram para a redução da inflação estão:
- Café moído: -3,72%;
- Frutas: -1,58%;
- Carnes: -0,64%;
- Açaí (emulsão): -14,41%;
- Óleo de soja: -2,78%;
- Tomate: -2,02%.
Segundo o analista do IBGE, Fernando Gonçalves, a queda reflete principalmente o aumento da oferta de alguns produtos e a devolução de altas registradas nos meses anteriores.
PRESSÕES DE ALTA
Apesar da desaceleração da inflação, alguns grupos registraram aumento de preços. O maior impacto veio da Habitação, com alta de 0,63%, impulsionada principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 1,53%.
O aumento da conta de luz foi influenciado pela manutenção da bandeira tarifária amarela e por reajustes aplicados em distribuidoras de Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
No grupo Transportes, as passagens aéreas tiveram alta de 7,12%. Em contrapartida, os combustíveis ficaram, em média, 0,48% mais baratos, com destaque para as reduções do etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gasolina (-0,12%) e gás veicular (-0,19%).
CENÁRIO
O índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços com aumento de preços, caiu para 54%, o menor percentual desde outubro de 2025, indicando que a inflação ficou menos disseminada na economia.
O IPCA é o indicador oficial utilizado pelo Banco Central para acompanhar o cumprimento da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), atualmente fixada em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Atualmente, a inflação acumulada em 12 meses permanece acima do limite superior da meta, embora tenha apresentado nova desaceleração em junho.




