Procuradoria Jurídica analisa requerimentos de investigação protocolados por Mariana Conti (PSOL) e Adriano Novo; denúncia aponta suposta promiscuidade com o poder econômico no setor de transporte coletivo

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A Câmara Municipal de Campinas vive uma segunda-feira (1º) decisiva com o recebimento de três pedidos de abertura de Comissão Processante (CP) contra o vereador Vini Oliveira (Cidadania). A Mesa Diretora aguarda o parecer da Procuradoria Jurídica do Legislativo para submeter os requerimentos ao plenário, o que pode ocorrer já na Ordem do Dia da sessão ordinária desta noite.
Caso os documentos cumpram as exigências formais do Decreto-Lei nº 201/67, os vereadores votarão a admissibilidade da denúncia, rito que exige maioria simples para dar início à investigação e à consequente instalação de um colegiado de três parlamentares sorteados para a apuração.
O estopim da nova crise política reside em imagens gravadas no início de abril, que mostram Vini Oliveira em uma longa reunião na sede da Smile Transportes, empresa ligada ao setor rodoviário sediada em Paulínia. No registro, o parlamentar aparece assentido enquanto um interlocutor afirma categoricamente que “não existe política sem finanças” e que “não existe poder político sem poder econômico”.
Ao final do encontro, assessores do parlamentar deixam o recinto carregando uma caixa preta e envelopes pardos, cujo conteúdo gerou forte questionamento público sobre o uso do mandato como balcão de negócios para interesses empresariais em detrimento da precarização do transporte que castiga a periferia.
Dos três pedidos recebidos, dois abordam o mesmo episódio em Paulínia. O primeiro protocolo foi assinado pela vereadora Mariana Conti (PSOL) e o segundo por Adriano Novo, de modo que a tendência regimental é o arquivamento da segunda peça por identidade de objeto. Mariana Conti, que tem pautado seu mandato pelo combate à promiscuidade entre o setor privado e agentes públicos na gestão das tarifas municipais, não poderá votar na sessão por ser a autora da representação, abrindo espaço para a convocação de seu suplente partidário para o ato.
Em contrapartida, Vini Oliveira utilizou suas redes sociais para negar o recebimento de vantagens indevidas ou propina. Em vídeo gravado em seu gabinete, o parlamentar abriu a caixa preta diante das câmeras e exibiu um calhamaço de papéis e pen-drives, alegando que o material continha apenas denúncias documentais sobre fraudes no sistema rodoviário, as quais teriam sido encaminhadas por ele ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).
O vereador, que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça, declarou-se alvo de perseguição política orchestrada por opositores: “A quem interessa o fim do meu mandato e da minha pré-campanha? Eu não prevariquei e tenho a trajetória limpa”.




