Planilhas, mensagens e comprovantes bancários divulgados pelo Intercept apontam transferências atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme

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Documentos divulgados pelo Intercept Brasil revelam detalhes de uma operação financeira que teria destinado pelo menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões na cotação da época — para financiar o filme “Dark Horse”, produção baseada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material inclui planilhas de desembolso, mensagens entre envolvidos e comprovantes de transferências internacionais atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram publicadas nesta semana e ampliam as investigações sobre as relações entre integrantes da família Bolsonaro e o banqueiro.
Segundo a documentação divulgada, os recursos fariam parte de uma negociação mais ampla que previa aportes de até US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões. Os documentos indicam que, até maio de 2025, pelo menos US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente transferidos para estruturas ligadas à produção cinematográfica.
O principal documento apresentado é uma planilha denominada “Funding Schedule”, que registra um cronograma de 14 desembolsos previstos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram estipuladas em US$ 2 milhões cada, enquanto as demais foram fixadas em US$ 1,66 milhão. Mensagens obtidas pela reportagem indicam cobranças por parcelas em atraso e discussões sobre novos pagamentos, sugerindo que o fluxo financeiro poderia ter continuado além dos valores já identificados.
Outro documento divulgado é um comprovante internacional do sistema SWIFT referente a uma transferência de US$ 2 milhões realizada em fevereiro de 2025 para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos. De acordo com a reportagem, o fundo possui ligação profissional com o advogado Paulo Calixto, que atua na defesa de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Os recursos teriam sido enviados por intermédio da empresa Entre Investimentos e Participações.
As mensagens publicadas também apontam a participação de intermediários responsáveis pela coordenação dos pagamentos e pela operacionalização das remessas internacionais. O material sugere que dificuldades encontradas nos mecanismos internos de compliance teriam levado os envolvidos a buscar estruturas alternativas para viabilizar as transferências.
As revelações surgem em meio às investigações conduzidas por autoridades federais sobre as atividades financeiras de Daniel Vorcaro e possíveis conexões entre recursos movimentados pelo grupo empresarial e projetos ligados à família Bolsonaro. Até o momento, não há decisão judicial definitiva que atribua responsabilidade criminal aos citados em relação aos fatos divulgados.
Em reportagens anteriores, o Intercept já havia divulgado áudios e mensagens que indicariam negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro para obtenção de recursos destinados ao filme. Os novos documentos, segundo o veículo, reforçam a existência dos aportes e permitem rastrear parte do caminho percorrido pelo dinheiro até os destinatários finais.
O espaço permanece aberto para manifestações dos citados. Em declarações anteriores, representantes de Daniel Vorcaro e das empresas mencionadas negaram irregularidades e contestaram parte das interpretações feitas sobre os documentos. Integrantes da família Bolsonaro também já negaram a prática de qualquer ato ilegal relacionado ao financiamento do projeto.




