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quarta-feira, junho 10, 2026
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Vídeo reforça suspeita de ligação entre agentes públicos e PCC em plano para matar promotor em Campinas

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Gravação encontrada pelo Gaeco mostra encontro entre ex-chefe da Dise e empresário apontado como integrante do grupo que planejava atentado contra promotor de Justiça

A nova fase das investigações levou à prisão temporária de Maurício Aparecido de Oliveira, acusado de participação em um esquema de vazamento de informações sigilosas e favorecimento a integrantes da facção criminosa. Foto Reprodução vídeo

<OUÇA A REPORTAGEM>

Uma gravação obtida pelo Ministério Público de São Paulo reforça as suspeitas de envolvimento de agentes públicos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) investigados por um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Campinas.

O vídeo foi revelado após a deflagração da Operação Infiltrados, realizada nesta terça-feira (9), e mostra um encontro entre Maurício Aparecido de Oliveira, então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, e o empresário José Ricardo Ramos. Segundo o Ministério Público, José Ricardo é apontado como um dos responsáveis pela execução do plano para matar o promotor.

De acordo com as investigações, a gravação foi encontrada no telefone celular do empresário e teria sido feita pela amante dele, a pedido do próprio José Ricardo. O encontro ocorreu cerca de uma semana antes da Operação Pronta Resposta, realizada em agosto de 2025, que desarticulou a organização suspeita de preparar o atentado.

A nova fase das investigações levou à prisão temporária de Maurício Aparecido de Oliveira, acusado de participação em um esquema de vazamento de informações sigilosas e favorecimento a integrantes da facção criminosa.

Além dele, foram presos o bacharel em Direito Gabriel Lira de Jesus e o ex-policial civil Itamar Gomes da Silva. Segundo o Gaeco, os três teriam desempenhado papéis distintos em uma rede de proteção a investigados ligados ao crime organizado.

As apurações apontam que Gabriel Lira atuava como estagiário em uma promotoria criminal de Campinas e teria utilizado acessos internos para identificar pessoas investigadas com elevado poder econômico. Conforme a investigação, ele supostamente cobrava valores em troca de informações privilegiadas e de promessas de proteção contra investigações.

A suspeita surgiu após a análise do celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, apontado pelo Ministério Público como financiador do plano para matar o promotor. Em mensagens encontradas pelos investigadores, Gabriel teria solicitado R$ 500 mil para impedir que informações sobre o empresário chegassem ao Gaeco.

Já o ex-policial civil Itamar Gomes da Silva é apontado pelos promotores como o elo entre Maurício Aparecido de Oliveira e José Ricardo Ramos. Itamar foi expulso da Polícia Civil após condenação por extorsão.

As autoridades cumpriram ainda dez mandados de busca e apreensão em Campinas e no município de Cardoso, no interior paulista. Um policial penal também é investigado e foi alvo das diligências realizadas durante a operação.

INVESTIGAÇÃO

O Ministério Público apura a existência de uma rede de cooptação de agentes públicos destinada a favorecer integrantes do PCC mediante vazamento de informações sigilosas, proteção a investigados e interferência em ações de combate ao crime organizado.

A defesa de Maurício Aparecido de Oliveira informou que aguarda acesso aos autos para analisar os fundamentos da prisão. O advogado de Gabriel Lira afirmou que irá se manifestar formalmente no processo e sustenta que os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação.

O caso segue sob investigação do Gaeco e da Polícia Civil. Até o momento, não houve julgamento dos acusados e todos permanecem com direito à ampla defesa e ao contraditório.

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