Levantamento do Ministério Público do Trabalho aponta crescimento expressivo dos registros na região às vésperas do Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil

A região de Campinas registrou aumento de 103% nas denúncias de trabalho infantil entre janeiro e maio de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) da 15ª Região. Foram contabilizadas 142 denúncias nos primeiros cinco meses deste ano, contra 70 ocorrências registradas no mesmo período de 2025.
O crescimento acompanha a tendência observada em toda a área de abrangência do MPT da 15ª Região, que reúne 599 municípios do interior paulista e do litoral norte. Nesse território, o número de denúncias saltou de 221 para 448 casos no comparativo entre os mesmos períodos, representando aumento de 102%.
Os dados foram divulgados às vésperas do Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho. A data busca conscientizar a sociedade sobre a necessidade de erradicar uma prática considerada grave violação dos direitos de crianças e adolescentes.
A regional de Campinas lidera o ranking de denúncias entre todas as unidades do Ministério Público do Trabalho no interior paulista. Com 142 registros, aparece à frente de Ribeirão Preto, que contabilizou 75 casos. Na sequência estão São José dos Campos (47), Sorocaba (42), Presidente Prudente (40), São José do Rio Preto (39), Bauru (32), Araçatuba (19) e Araraquara (12).
TRABALHO INFANTIL
Para a coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente, Ana Raquel Machado Bueno de Moraes, o enfrentamento ao trabalho infantil deve permanecer como prioridade permanente das instituições públicas e da sociedade.
“Neste 12 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, reafirmamos que a erradicação dessa prática não é um compromisso acessório, mas um imperativo constitucional inegociável; enquanto houver uma única criança privada de sua infância, estaremos falhando como sociedade e como Estado, pois não existe forma de exploração que possa ser tolerada ou naturalizada sob qualquer justificativa socioeconômica”, afirmou a procuradora.
Segundo Ana Raquel, o aumento das denúncias também evidencia a persistência de uma cultura que ainda normaliza o trabalho infantil sob o argumento de que a atividade precoce contribuiria para a formação de crianças e adolescentes. A procuradora alerta que essa percepção ignora situações de exploração frequentemente identificadas em atividades da agricultura familiar, do comércio varejista e do trabalho informal em áreas urbanas.
O Ministério Público do Trabalho destaca que o trabalho infantil compromete o desenvolvimento físico, psicológico e educacional de crianças e adolescentes, além de aumentar os riscos de evasão escolar, acidentes e vulnerabilidade social. As denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais do MPT.




