Presidente do Senado sinaliza preocupação com impactos econômicos e eleitorais da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados

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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 enfrenta resistência nos bastidores do Senado Federal e pode ter sua tramitação adiada para depois das eleições de 2026. A avaliação é atribuída a aliados do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não encaminhou a matéria para análise das comissões responsáveis.
A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda despacho da presidência do Senado para iniciar sua tramitação formal. Até o momento, não houve designação de relator nem encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa necessária para o avanço da matéria.
Segundo interlocutores do Senado, Alcolumbre avalia que o período eleitoral pode influenciar o posicionamento dos parlamentares diante de uma pauta de forte apelo popular. Em 2026, dois terços das cadeiras da Casa estarão em disputa, cenário que, na visão de integrantes da Mesa Diretora, pode dificultar um debate focado exclusivamente nos impactos econômicos e jurídicos da proposta.
O tema também tem mobilizado representantes do setor empresarial. Empresários e lideranças econômicas vêm manifestando preocupação com possíveis reflexos da mudança nas relações de trabalho, nos custos operacionais das empresas e na geração de empregos. Nas últimas semanas, reuniões sobre o assunto ocorreram entre representantes do setor produtivo e integrantes do Senado.
Governo tenta destravar discussão
Apesar da paralisação da proposta, o líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues, afirmou que existe ambiente político favorável para o debate da matéria no Senado. Segundo ele, a Casa poderia inclusive discutir ajustes no texto aprovado pela Câmara, especialmente em relação aos prazos de transição para a implementação das novas regras trabalhistas.
“O que importa para nós é que a PEC tenha a designação de relator e seja votada”, afirmou o parlamentar ao defender o início da tramitação.
Nos bastidores do governo federal, a avaliação é que a demora para iniciar a análise da proposta representa o principal obstáculo neste momento. Integrantes da articulação política tentam convencer a presidência do Senado a encaminhar o texto para discussão ainda neste ano.
Debate envolve impactos econômicos e trabalhistas
Ao comentar propostas relacionadas à jornada de trabalho e pisos salariais, Alcolumbre afirmou que existem dezenas de matérias semelhantes aguardando análise da Casa e defendeu tratamento uniforme para todas elas.
“Eu não posso ser seletivo”, declarou o senador ao justificar a cautela na definição da pauta.
O presidente do Senado também mencionou preocupações relacionadas aos efeitos econômicos de propostas que ampliam direitos trabalhistas ou criam novas obrigações para empresas e para o setor público. Durante declarações recentes, questionou a capacidade financeira do país de absorver mudanças com impacto permanente sobre a economia.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 divide opiniões entre representantes dos trabalhadores, entidades empresariais e parlamentares. Defensores da proposta argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar o equilíbrio entre trabalho e descanso. Já críticos afirmam que a mudança exige estudos mais aprofundados sobre seus efeitos no emprego, na produtividade e nos custos das empresas.
Hoje, a expectativa predominante entre lideranças do Senado é que a definição sobre o futuro da PEC ocorra apenas após o encerramento do calendário eleitoral de 2026, quando os parlamentares terão maior margem para discutir o mérito da proposta sem a influência direta da disputa nas urnas.




