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terça-feira, junho 16, 2026
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PGR rejeita proposta de delação de Daniel Vorcaro por falta de provas novas e recuperação de recursos

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Órgão acompanhou entendimento da Polícia Federal e concluiu que material apresentado pelo controlador do Banco Master não trouxe informações inéditas para as investigações

Investigadores teriam considerado insuficientes os esclarecimentos apresentados sobre a participação de agentes públicos nas operações analisadas. Foto Secretaria da Administração Penitenciária-SP

<OUÇA A REPORTAGEM>

A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão segue o entendimento já adotado pela Polícia Federal, que anteriormente também havia recusado uma nova tentativa de acordo apresentada pelo empresário.

Segundo fontes ligadas às investigações, a avaliação da PGR foi de que o material entregue pela defesa não apresentou fatos inéditos capazes de contribuir de forma significativa para o avanço das apurações. Os procuradores também apontaram que parte das informações fornecidas se baseava em relatos de terceiros, sem documentação ou elementos independentes que permitissem a verificação dos fatos narrados.

De acordo com interlocutores que acompanham o caso, a ausência de provas autônomas e de informações efetivamente novas pesou na decisão. Integrantes da investigação afirmam que acordos de colaboração exigem, além da narrativa dos fatos, elementos concretos que possam gerar novas linhas de investigação ou confirmar suspeitas já existentes.

Outro fator considerado decisivo foi a ausência de mecanismos claros para recuperação de ativos e devolução de recursos. Em investigações relacionadas a crimes financeiros, a restituição de valores supostamente desviados ou obtidos de forma ilícita costuma ser considerada um dos principais requisitos para a celebração de acordos de colaboração premiada.

INVESTIGADORES VEEM TENTATIVA DE GANHAR TEMPO

Nos bastidores, a rejeição reforçou uma avaliação já existente entre investigadores de que as sucessivas tentativas de colaboração poderiam estar sendo utilizadas como estratégia para prolongar as negociações enquanto as apurações seguem em andamento.

Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a percepção ganhou força diante da incapacidade das propostas apresentadas até agora de oferecer informações consideradas relevantes ou inéditas. A avaliação interna é que qualquer nova tentativa de acordo precisará apresentar provas robustas, documentos verificáveis e contribuições concretas para justificar os benefícios previstos na legislação.

Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi a discussão envolvendo eventual devolução de recursos. Informações divulgadas anteriormente apontavam que Vorcaro poderia negociar a restituição de valores bilionários como parte de um acordo. No entanto, integrantes da Procuradoria afirmam que não houve discussão formal sobre montantes específicos durante as negociações.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, membros da PGR sustentam que os números divulgados publicamente não fizeram parte das conversas oficiais entre as autoridades e a defesa do empresário. Investigadores também apontam que, nas etapas mais recentes das negociações, teriam surgido dificuldades relacionadas à recuperação de ativos e à devolução de recursos.

Com a rejeição da proposta pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, o caminho para uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro torna-se mais restrito. Embora a legislação permita a apresentação de novas propostas, fontes ligadas às investigações avaliam que futuras negociações dependerão da apresentação de elementos inéditos, provas consistentes e mecanismos efetivos de reparação financeira.

Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou publicamente sobre a decisão da PGR.

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