Documento da Operação Compliance Zero indica que Daniel Vorcaro custeou diárias de hotel para o presidente da Câmara e o senador durante viagem a Portugal em 2024; investigação também aponta viagens internacionais pagas ao parlamentar do PP

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A Polícia Federal concluiu que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou despesas de hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira durante uma viagem a Lisboa, em junho de 2024. A informação consta em relatório da Operação Compliance Zero, produzido pela corporação em abril deste ano e tornado público nesta terça-feira (16) pelo ministro do STF André Mendonça.
Segundo os investigadores, mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram que ele solicitou a um aliado identificado como Leo Serrano a reserva de hospedagem para “Ciro e Hugo” no Hotel Four Seasons, na capital portuguesa. A PF afirma que os elementos analisados indicam que os beneficiários das reservas eram o senador e o presidente da Câmara.
O relatório também registra que, após a confirmação das reservas, Vorcaro enviou mensagem de áudio demonstrando preocupação com a privacidade do encontro. De acordo com a PF, o banqueiro mencionou a necessidade de restringir o acesso visual ao local onde ocorreria o evento, buscando evitar a exposição dos participantes.
APURAÇÃO
A investigação aponta que cinco diárias no hotel custaram cerca de 3 mil euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 18 mil na cotação da época. Uma fatura encontrada no e-mail do banqueiro teria reforçado a identificação dos hóspedes. Segundo a PF, o documento registrava a contratação de duas suítes júnior, atribuídas nominalmente a Hugo Motta e Ciro Nogueira.
Embora citado no relatório, Hugo Motta não figura entre os investigados da operação. Já Ciro Nogueira é alvo das investigações e foi submetido a medidas de busca e apreensão autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.
A Polícia Federal também destacou a relação de proximidade entre Vorcaro e o senador. Conforme o documento, viagens realizadas por Ciro Nogueira para destinos como Paris, Nova York e Courchevel, nos Alpes franceses, teriam sido custeadas pelo banqueiro. Os investigadores estimam que os gastos ultrapassaram R$ 400 mil, sem considerar despesas com aeronaves privadas.
No relatório, a PF afirma que o benefício econômico direto recebido pelo senador em razão dessas viagens alcançou R$ 468.721,78. A corporação ainda apura se houve contrapartidas ou eventual influência política relacionada aos benefícios concedidos.
Questionado por jornalistas nesta terça-feira, Hugo Motta afirmou estar “tranquilo” em relação às informações reveladas pela investigação. O deputado declarou que esteve em Lisboa para participar de um evento jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes.
Até a publicação desta reportagem, Ciro Nogueira não havia se manifestado sobre as conclusões apresentadas pela Polícia Federal. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento do senador.




