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quarta-feira, junho 17, 2026
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PF aponta infiltração em órgãos públicos e uso de milícia privada para proteger família Vorcaro

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Relatório da Operação Compliance Zero indica acesso ilegal a sistemas da Polícia Federal, espionagem de adversários e suposta tentativa de silenciar familiares de operador ligado ao grupo investigado

De acordo com a PF, o agente teria utilizado acessos privilegiados a sistemas governamentais para consultar informações sobre passaportes, deslocamentos internacionais, históricos de viagens e registros migratórios de pessoas consideradas adversárias do grupo. Foto Divulgação redes Sociais

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A Polícia Federal identificou indícios de que Henrique Moura Vorcaro contava com apoio de pessoas com acesso a informações sigilosas dentro da corporação para atender aos interesses do grupo investigado na Operação Compliance Zero. A conclusão consta em documentos encaminhados ao ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo do material nesta terça-feira (16).

Segundo a investigação, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência de Henrique Vorcaro, os agentes localizaram uma impressão de consulta realizada no sistema Sinapse, ferramenta de inteligência de uso restrito da Polícia Federal. O documento continha informações detalhadas sobre Augusto Conte, considerado pessoa de interesse para o grupo investigado.

Para os investigadores, a posse desse material por um particular reforça a suspeita de que servidores públicos acessavam ilegalmente bases de dados sigilosas e repassavam informações estratégicas ao núcleo liderado pela família Vorcaro. Em ofício encaminhado ao STF, a PF afirma que a apreensão do documento “corrobora a hipótese” de existência de colaboradores internos dispostos a realizar consultas clandestinas nos sistemas da corporação.

INVESTIGAÇÃO

As apurações também descrevem uma estrutura paralela de monitoramento e intimidação que, segundo a Polícia Federal, era coordenada por Henrique Vorcaro e pelo operador Manoel Mendes Rodrigues. O grupo teria utilizado informações obtidas ilegalmente para monitorar adversários, concorrentes e pessoas consideradas estratégicas.

Um dos episódios detalhados no relatório envolve a irmã de Luiz Phillipi Mourão, operador apontado pela PF como homem de confiança de Daniel Vorcaro. Após a prisão de Sicário durante uma das fases da operação, sua irmã, Joana Mourão, passou a cobrar auxílio financeiro do grupo e ameaçou divulgar informações que, segundo ela, comprometeriam a família Vorcaro.

Interceptações telefônicas registradas pela PF mostram cobranças relacionadas a dívidas e despesas familiares. Em mensagens citadas pelos investigadores, Joana teria afirmado possuir informações capazes de atingir integrantes do grupo e ameaçado procurar veículos de imprensa para tornar o material público.

Diante da situação, a investigação aponta que integrantes da organização acionaram o grupo conhecido como “A Turma”, descrito pela PF como uma estrutura de pressão e intimidação formada por pessoas ligadas à contravenção. O objetivo seria negociar o silêncio da família de Sicário e evitar o vazamento de informações consideradas sensíveis.

Segundo os investigadores, as tratativas envolveram promessas de participação societária em empresas e repasses patrimoniais. A Polícia Federal apura se essas movimentações podem configurar também lavagem de dinheiro e ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas.

ESPIONAGEM

O relatório aponta ainda que a sexta fase da Operação Compliance Zero revelou um suposto esquema de espionagem clandestina com utilização de bancos de dados públicos. Nessa etapa, Henrique Vorcaro foi preso juntamente com o policial Anderson Wander da Silva Lima.

De acordo com a PF, o agente teria utilizado acessos privilegiados a sistemas governamentais para consultar informações sobre passaportes, deslocamentos internacionais, históricos de viagens e registros migratórios de pessoas consideradas adversárias do grupo. Os dados seriam utilizados para monitoramento e obtenção de vantagem em disputas empresariais e financeiras.

Os investigadores também relatam tentativas de destruição de provas por integrantes da organização após o avanço das investigações. A Polícia Federal sustenta que o conjunto de documentos, mensagens, interceptações e registros eletrônicos reunidos ao longo da operação fortalece as suspeitas sobre a existência de uma estrutura criminosa voltada à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de alvos e proteção dos interesses da família Vorcaro.

Até o momento, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre os novos elementos divulgados após a retirada do sigilo dos autos. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

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