Levantamento da Quaest mostra Esperidião Amin na liderança, Carlos Bolsonaro em segundo e Caroline de Toni próxima; resultado amplia incerteza sobre a composição da direita na corrida por duas vagas ao Senado
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A disputa pelas duas vagas de Santa Catarina no Senado em 2026 ganhou um novo componente de incerteza após pesquisa Quaest divulgada nesta semana apontar o senador e ex-governador Esperidião Amin (PP) na liderança, com 19% das intenções de voto, seguido por Carlos Bolsonaro (PL), com 16%, e pela deputada federal Caroline de Toni (PL), com 12%. O resultado indica que a eleição ainda está aberta e que a definição das candidaturas dentro do campo bolsonarista poderá ser decisiva para a composição da bancada catarinense no Senado.
O cenário chama atenção porque Carlos Bolsonaro vinha sendo tratado como um dos nomes com maior potencial para disputar uma das duas cadeiras pelo grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A pesquisa, entretanto, coloca o vereador do Rio de Janeiro em segundo lugar, três pontos atrás de Amin, enquanto Caroline de Toni aparece apenas quatro pontos abaixo dele.
A fotografia eleitoral também revela uma particularidade da disputa catarinense: os três primeiros colocados estão associados ao campo político de direita, enquanto os candidatos de esquerda aparecem mais distantes. Décio Lima (PT) registra 9%, seguido por Afrânio Boppré (PSOL) e Lunelli (MDB), com 2% cada. Outros nomes aparecem com 1%.
Disputa dentro da direita
O resultado coloca em evidência uma disputa que vai além do confronto tradicional entre direita e esquerda. Com duas cadeiras em jogo, partidos e grupos políticos precisam definir quais candidaturas terão condições de concentrar votos suficientes para ocupar uma das vagas.
No campo bolsonarista, a situação envolve principalmente Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, ambos do PL. A deputada possui forte identificação com Santa Catarina e ocupa posição relevante dentro da estrutura política do partido no Estado. Carlos, por sua vez, carrega o peso do sobrenome Bolsonaro e uma base política construída nacionalmente, mas enfrenta o desafio de disputar uma eleição majoritária fora de seu principal reduto eleitoral.
A pesquisa não permite afirmar, isoladamente, qual dos dois terá maior capacidade de crescimento durante a campanha. O levantamento também não determina quem será escolhido pelo eleitorado, já que a eleição para o Senado possui dinâmica própria e permite a escolha de dois candidatos.
Amin aparece como fator de equilíbrio
A liderança de Esperidião Amin (PP) acrescenta outro elemento à disputa. Ex-governador e atual senador, Amin possui trajetória política consolidada em Santa Catarina e aparece à frente dos dois principais nomes do PL no levantamento.
O resultado também mostra que a estratégia de concentrar a disputa em torno de dois nomes ligados diretamente ao bolsonarismo pode enfrentar resistência eleitoral. Caso Amin consiga preservar a liderança e ampliar sua vantagem, poderá transformar uma eleição inicialmente apresentada como favorável à direita bolsonarista em uma disputa mais competitiva pelas duas cadeiras.
Outro nome que merece atenção é Décio Lima (PT). Com 9%, o petista está atrás dos três primeiros colocados, mas aparece à frente dos demais candidatos listados na pesquisa. O desempenho indica que, embora a disputa atualmente esteja concentrada nos candidatos de direita, ainda existe espaço para mudanças durante a campanha.
O que a pesquisa não responde
O levantamento mostra o momento eleitoral, mas não resolve questões que deverão ser decisivas até a eleição. Entre elas estão a definição das candidaturas, a formação das chapas, o apoio das lideranças nacionais, a estrutura partidária disponível em cada região do Estado e a capacidade dos candidatos de transformar intenção de voto em campanha efetiva.
Também será necessário observar se o eleitor catarinense manterá a preferência por dois nomes do campo da direita ou se a polarização nacional entre direita e esquerda poderá alterar o quadro ao longo da campanha.
Para o PL, a principal questão é definir como distribuir seu capital político entre Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni sem produzir uma divisão que favoreça adversários. Para Amin, o desafio é transformar a liderança registrada na pesquisa em uma vantagem suficientemente sólida para resistir ao avanço das candidaturas apoiadas pelo bolsonarismo.
A pesquisa Quaest, portanto, não aponta um vencedor antecipado. Ela revela uma disputa aberta, na qual a liderança de Amin e a proximidade entre os dois principais nomes do PL tornam a definição da chapa e a estratégia eleitoral fatores potencialmente determinantes para o resultado das duas vagas ao Senado por Santa Catarina.



