Fundador da Smart Fit doa R$ 100 mil para Tarcísio após voltar ao radar do ministro Alexandre de Moraes

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Edgard Corona, alvo de busca e apreensão no inquérito das fake news em 2020, fez a contribuição à campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em agosto; empresário nega ter financiado notícias falsas e decisão recente do STF não representa condenação

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O empresário Edgard Corona, fundador da Smart Fit, doou R$ 100 mil para a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 20 de agosto de 2026, segundo a prestação de contas eleitoral apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A contribuição ocorre seis anos depois de Corona ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que investigava a produção, disseminação e eventual financiamento de ataques e notícias falsas contra integrantes da Corte.

A coincidência temporal merece atenção porque o nome do empresário voltou a aparecer no âmbito do mesmo inquérito. Em julho de 2026, Moraes autorizou a defesa de Corona a consultar as provas já documentadas referentes às investigações relacionadas a ele, mas manteve sob sigilo as diligências que ainda estavam em andamento. A decisão, por si só, não representa condenação e não estabelece que Corona tenha financiado uma estrutura de notícias falsas.

O elo entre o empresário e a investigação

Corona foi incluído entre os alvos da operação deflagrada em maio de 2020, que atingiu empresários, blogueiros e políticos investigados por uma possível estrutura de financiamento e divulgação de ataques contra ministros do Supremo.

Na ocasião, foram autorizadas buscas em endereços ligados ao empresário, além de medidas relacionadas a equipamentos eletrônicos e sigilos bancário e fiscal. Parte dos elementos utilizados na investigação estava relacionada a mensagens e discussões de um grupo empresarial conhecido como “Brasil 200 Empresarial”, que reunia empresários identificados com o campo político bolsonarista.

O material apreendido deveria esclarecer se havia uma estrutura organizada para financiar a produção e a divulgação de conteúdos contra instituições e autoridades. A inclusão de Corona entre os investigados, entretanto, não significa que a investigação tenha concluído que ele tenha cometido crime.

O empresário negou desde o início ter financiado notícias falsas. Em manifestações públicas após a operação, afirmou que não havia colocado recursos na produção ou divulgação desse tipo de conteúdo.

Até o momento, a decisão recente de Moraes também não equivale a uma condenação. O ministro apenas permitiu que os advogados consultassem elementos já documentados e preservou informações sobre diligências ainda em curso.

Doação aparece na campanha de Tarcísio

O novo capítulo envolvendo Corona aparece agora nos registros eleitorais. A prestação de contas da campanha de Tarcísio registra uma doação de R$ 100 mil feita diretamente pelo empresário. Na base de dados analisada até 24 de agosto, essa era a contribuição eleitoral registrada em nome de Corona em 2026.

O dado permite estabelecer uma relação objetiva: um empresário que foi alvo de uma investigação do STF em 2020 tornou-se, seis anos depois, doador da campanha do governador paulista que busca permanecer no cargo.

Tarcísio e o ambiente empresarial

A contribuição ocorre em uma eleição na qual Tarcísio tenta consolidar sua liderança política em São Paulo e se apresenta como um dos principais nomes do campo conservador para a disputa estadual.

Em fevereiro de 2026, deixou a função de diretor-presidente da companhia. Passou à presidência do Conselho de Administração, enquanto Diogo Ferraz de Andrade Corona assumiu a posição de CEO, segundo a estrutura de governança divulgada pela empresa.

A apuração que interessa, portanto, é outra: verificar se houve apenas uma contribuição pessoal de um empresário a uma campanha política ou se existem relações adicionais entre o doador, empresas sob seu controle, grupos empresariais e a administração estadual.

O que precisa ser esclarecido

A doação de R$ 100 mil é legal em princípio, desde que respeite as regras eleitorais aplicáveis às pessoas físicas e tenha origem lícita. O fato de o doador ter sido investigado pelo STF não o impede automaticamente de exercer seus direitos políticos ou realizar uma contribuição eleitoral dentro da legislação. Mas a coincidência entre os episódios torna pertinente acompanhar a origem dos recursos e a relação política estabelecida pela contribuição.

Também é necessário verificar se Corona realizou outras doações políticas em 2026, se empresas ligadas ao empresário possuem contratos com o governo paulista e se houve, nos últimos anos, decisões administrativas que possam representar benefício direto ou indireto para seus negócios.

Outro ponto é identificar se houve encontros, articulações ou relações institucionais entre o empresário e integrantes da campanha ou do governo Tarcísio antes da contribuição.

Essas perguntas não partem da presunção de irregularidade. São procedimentos básicos de uma apuração sobre financiamento eleitoral e relações entre poder público e grandes grupos econômicos.

O registro eleitoral demonstra a doação. A investigação do STF demonstra que Corona foi alvo de medidas no inquérito das fake news. A decisão de Moraes em 2026 demonstra que existem elementos documentados aos quais a defesa passou a ter acesso. O que esses fatos não demonstram, até aqui, é qualquer ligação entre a investigação do STF e a doação à campanha de Tarcísio.

A campanha de Tarcísio de Freitas, Edgard Corona e a Smart Fit devem ser procurados para esclarecer a natureza da relação entre o empresário e a candidatura, a motivação da contribuição e se existe qualquer relação comercial ou institucional entre empresas ligadas a Corona e o governo paulista.

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