
Segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, presidente discute manter o vice na função e acumular o Ministério da Fazenda a partir de 2027; mudança ainda não foi decidida oficialmente
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia nomear o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual novo governo, segundo informações divulgadas pela Reuters nesta segunda-feira (5). A proposta prevê que Alckmin permaneça como vice-presidente e acumule a chefia da Fazenda a partir de 2027, caso Lula seja reeleito. Duas pessoas com conhecimento das discussões relataram a possibilidade à agência, mas não há decisão oficial sobre a mudança. O Palácio do Planalto foi procurado pela Reuters e não se manifestou.
A discussão ocorre um dia depois do primeiro turno da eleição presidencial, no qual Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula (PT). Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Flávio recebeu 56.103.033 votos, enquanto Lula teve 53.870.724.
Segundo a Reuters, a eventual indicação de Alckmin para a Fazenda está relacionada à tentativa de ampliar sua participação na condução da política econômica e reforçar a interlocução do governo com setores empresariais e eleitores de centro. A agência também relacionou a discussão ao debate sobre equilíbrio fiscal, que ganhou espaço na reação dos mercados financeiros ao resultado do primeiro turno.
Alckmin já ocupa a Vice-Presidência da República e foi ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no atual governo. Antes de integrar a chapa presidencial de Lula, foi governador de São Paulo e candidato à Presidência da República em 2006, quando disputou o segundo turno contra o próprio Lula. A aproximação política entre os dois ocorreu anos depois, culminando na formação da chapa que venceu a eleição presidencial de 2022.
A hipótese de Alckmin no comando da área econômica não é inédita. Depois da eleição de 2022, o nome do vice chegou a ser considerado para o Ministério da Fazenda, mas Lula escolheu Fernando Haddad (PT) para ocupar a pasta. A eventual mudança agora representaria uma alteração importante na composição econômica de um segundo mandato, caso a chapa seja reeleita.
O debate ocorre em um momento no qual a política fiscal está entre os principais temas econômicos da campanha. O governo encaminhou ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária de 2027 com previsão de superávit primário de R$ 18,6 bilhões antes dos descontos previstos pelo regime fiscal. O texto estabelece limite de R$ 2,576 trilhões para as despesas primárias.
A reação dos mercados ao resultado do primeiro turno também colocou a política econômica no centro das discussões. Na segunda-feira (5), o Ibovespa chegou a registrar alta superior a 8% durante os negócios, enquanto o real também se valorizou frente ao dólar. A Reuters informou que investidores associaram o resultado eleitoral a expectativas sobre a condução fiscal do próximo governo.
A escolha de Alckmin, caso venha a ser confirmada, teria ainda uma consequência política: o vice-presidente passaria a concentrar simultaneamente a função institucional de número dois do governo e o comando da principal pasta da área econômica. Essa configuração ampliaria sua participação nas decisões sobre orçamento, política fiscal, relação com o mercado financeiro e diálogo com o setor produtivo.
Até o momento, porém, a indicação não foi anunciada oficialmente. A informação publicada pela Reuters se baseia em duas fontes familiarizadas com as conversas, e o governo não confirmou publicamente a mudança. O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, permanece formalmente no cargo.
A eventual escolha de Alckmin também ocorre dentro de uma disputa eleitoral que será decidida em 25 de outubro. O segundo turno colocará novamente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente, após uma diferença de 2,87 pontos percentuais no primeiro turno.
Por enquanto, portanto, Alckmin pode ser considerado um nome em discussão para a Fazenda, e não o futuro ministro da pasta. A definição dependerá do resultado do segundo turno e, antes disso, da própria decisão de Lula sobre a composição de um eventual novo governo.


