Governo pede bloqueio de 13,2 mil sites de bets ilegais e aponta R$ 1,3 bilhão ainda a devolver

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Segundo o Ministério da Fazenda, aproximadamente 40 contas apresentavam valores superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. Foto Joedson Alves/Agencia Brasil

Ministério da Fazenda afirma que 26,5 milhões de apostadores ainda tinham valores nas plataformas após o fim do prazo para retirada; cerca de 1% concentra 80% do dinheiro pendente

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O governo federal informou nesta terça-feira (6) que solicitou o bloqueio de 13.241 sites considerados ilegais de apostas desde 25 de setembro, quando entrou em vigor a proibição dessas plataformas. No mesmo período, o Ministério da Fazenda também pediu a retirada de milhares de páginas, perfis, canais e grupos relacionados às apostas ilegais nas redes sociais. Segundo o governo, o conjunto de conteúdos alcançava mais de 17 milhões de usuários.

A ofensiva ocorre no momento em que as plataformas de apostas encerram suas operações no país e começa uma etapa de devolução dos recursos que permaneceram nas contas dos usuários. De acordo com o Ministério da Fazenda, R$ 1,325 bilhão ainda estava pendente de devolução nesta terça-feira, envolvendo aproximadamente 26,5 milhões de apostadores.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida também interfere no volume de dinheiro movimentado diariamente pelas plataformas. “Já tínhamos identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saía da poupança popular e ia para as bets”, afirmou. Para o ministro, a interrupção desse fluxo representa uma mudança na destinação dos recursos das famílias.

Bloqueio das plataformas

Dos 188 sites de apostas que tinham autorização para funcionar no Brasil até segunda-feira (5), apenas uma plataforma permanecia acessível na terça-feira. O Ministério da Fazenda informou que também solicitou o bloqueio desse site.

A quantidade de pedidos feitos desde 25 de setembro representa uma média de aproximadamente 1.103 sites bloqueados ou incluídos nos pedidos de bloqueio por dia. Além das páginas de apostas, o governo solicitou a retirada de 974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais ou grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord.

De acordo com Durigan, o conjunto dessas páginas e perfis alcançava mais de 17 milhões de usuários.

R$ 1,3 bilhão ainda nas plataformas

O prazo para que os usuários retirassem voluntariamente seus recursos terminou às 23h59 de segunda-feira (5). A partir de agora, as empresas têm até quarta-feira (7) para comunicar às instituições financeiras os valores que permanecem nas contas, identificando os usuários pelo CPF e informando a conta bancária utilizada nas operações.

O levantamento apresentado pelo governo aponta R$ 1,325 bilhão ainda disponível para devolução a cerca de 26,5 milhões de apostadores. O número de contas, entretanto, é maior do que o de pessoas, porque um mesmo usuário pode possuir cadastros em diferentes plataformas.

Os dados também mostram uma concentração elevada dos recursos. Cerca de 1% dos apostadores, aproximadamente 200 mil pessoas, concentra 80% do dinheiro que permanece nas plataformas. Já 3,4% dos usuários concentram cerca de 90% do valor pendente.

“1% dos apostadores, algo como 200 mil apostadores, representam 80% do saldo que hoje está pendente de ser resgatado. E 3,4% dos apostadores representa 90%”, declarou Durigan.

Outro dado apresentado pelo governo mostra a existência de 86,2 milhões de contas com saldo entre R$ 0,01 e R$ 0,99. Somadas, essas contas representam R$ 15,5 milhões.

Contas acima de R$ 500 mil entram no radar

O governo também pretende analisar contas com movimentações ou saldos considerados elevados. Segundo o Ministério da Fazenda, aproximadamente 40 contas apresentavam valores superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão.

Esses casos serão analisados para verificar a eventual existência de operações relacionadas à lavagem de dinheiro ou possíveis vínculos com organizações criminosas. A apuração ocorre paralelamente ao processo de devolução dos valores aos usuários e às medidas de bloqueio das plataformas consideradas ilegais.

O conjunto dos números apresentados pelo governo coloca sob análise três dimensões distintas do mercado de apostas: o volume de dinheiro movimentado, a concentração dos recursos entre os usuários e a utilização das plataformas digitais para alcançar milhões de pessoas.

A partir desses dados, a investigação sobre as contas de maior valor poderá revelar se parte dos recursos mantidos nas plataformas possui origem compatível com a atividade declarada pelos usuários ou se existem movimentações que demandem investigação financeira e criminal.

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