PF investiga policiais e ex-policiais por venda de fuzis e vazamento de informações para facção no Rio

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Mais de R$ 100 milhões teriam sido movimentados ao longo de quatro anos por meio de contas pessoais e empresas apontadas como de fachada. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Operação Magen cumpre sete prisões preventivas e 18 mandados de busca; investigação aponta movimentação superior a R$ 100 milhões em quatro anos

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A Polícia Federal cumpre nesta quarta-feira (7) sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra um grupo investigado por supostas ligações com uma organização criminosa que atua no Complexo de Israel, na zona norte do Rio de Janeiro. A Operação Magen apura suspeitas de comércio clandestino de armas de fogo, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas obtidas por meio de sistemas restritos da Administração Pública.

Entre os alvos estão um policial civil, um policial militar e ex-policiais. Segundo a investigação conduzida pelo Grupo de Investigações Sensíveis da PF (GISE), em conjunto com o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Rio (MPRJ), o grupo teria estruturado uma cadeia para obtenção, transporte e revenda ilegal de armamentos.

A apuração aponta que o esquema envolveria fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. Segundo os investigadores, há indícios de que os suspeitos tenham fornecido diretamente à principal liderança criminosa do Complexo de Israel dez fuzis do modelo AR-15.

Outro eixo da investigação envolve o acesso a informações protegidas. De acordo com a apuração, policiais e ex-policiais teriam utilizado credenciais ou acesso a sistemas restritos para obter dados sobre mandados de prisão, endereços, registros de veículos e operações policiais em andamento. Essas informações, segundo os investigadores, eram repassadas a integrantes da organização criminosa.

A suspeita é de que os vazamentos permitissem aos criminosos antecipar-se a ações policiais e dificultar o cumprimento de medidas contra integrantes da facção. A investigação também identificou indícios de utilização dessas informações em apurações clandestinas destinadas à obtenção de vantagens financeiras por meio de extorsão.

Mais de R$ 100 milhões movimentados

A investigação financeira é outro eixo da Operação Magen. Segundo os investigadores, o dinheiro obtido com as atividades ilegais teria passado por sucessivas operações destinadas a ocultar ou dificultar a identificação de sua origem.

Mais de R$ 100 milhões teriam sido movimentados ao longo de quatro anos por meio de contas pessoais e empresas apontadas como de fachada. O rastreamento desses recursos deverá permitir aos investigadores identificar beneficiários, empresas utilizadas nas operações e eventuais conexões entre o comércio ilegal de armas, a organização criminosa e o sistema financeiro utilizado para movimentar os valores.

As prisões e buscas autorizadas pela Justiça fazem parte da fase de coleta de provas. A responsabilidade individual de cada investigado deverá ser definida a partir da análise dos documentos, equipamentos, registros financeiros e demais materiais eventualmente apreendidos durante a operação.

A investigação também deverá esclarecer a extensão da participação de agentes públicos no suposto esquema e como informações protegidas por sistemas oficiais teriam chegado aos integrantes da organização criminosa.

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