Este ano faz cem anos de morte do maior e mais completo escritor brasileiro. Tinha tudo para dar errado na vida, mas com talento e disciplina chegou no topo naquilo que fazia com paixão.
Sem patrimônio genético ou material fez da existência um legado impagável e imensurável. Soube como ninguém identificar as adversidades e mais do que isto transpô-las com elegância e realismo.
Sua obra não tem decaída, seus recheios literários não nos traz indigestão intelectual. Sua regularidade está acima de qualquer lampejo de nossos maiores escritores. Já li muitas obras salvo por uma única frase o até mesmo por um parágrafo. Em Machado de Assis sua genialidade faz seus recheios literários nivelar ao topo de nossos maiores escritores e seus lampejos distanciarem quilometricamente destes mesmos escritores.
Analiso apenas o conteúdo não tenho estatura técnica para analisar o malabarismo em quem faz com língua portuguesa. Era sem duvida nenhuma um escritor diferenciado e singular.
Nasceu desprotegido, mas com avanço de existência soube se armar e criar uma redoma protetora capaz de defender da marginalidade em que o destino impunha.
Retratou a sociedade carioca de seu tempo como espectador. Era sem duvida naturalista e realista. Fez da literatura um instrumento capaz de identificar macrocosmamente o comportamento de seu tempo.
O legado de Machado de Assis na literatura é imensurável, mas sua referência maior é como símbolo da ascensão social.
Mostrou para a sociedade contemporânea que no mundo atual nada é fato consumado. E que a mutabilidade social é extremamente dinâmica. Ele que nasceu pigmeu e morreu gigante nos faz compreender um fenômeno sociológico. O que vemos hoje é uma inversão dos nasceram gigantes e estão morrendo pigmeus. Estes novos valores são um fenômeno contemporâneo. E Machado de Assis é a síntese do que ascenderam socialmente pelo talento. Hoje o talento é um patrimônio vitalício e o patrimônio material está transformando em miserabilidade devida sua fragmentação. Ao caso que o patrimônio abstrato é de produção abundante e eterna, contemporizada pela sociedade contemporânea com uma certa idolatria.
Hoje é bem melhor nascer inteligente do que em berço de ouro. Pois através de nossa inteligência conseguimos a retaguarda econômica ao caso que o patrimônio material está fragmentando. aceleradamente chegando mesmo a deterioração total.
Machado de Assis é exemplo literário e de vida em que devemos seguir. Ele soube conservar pequeno na grandeza conquistada. Suas obras se transpõem para mundo moderno com fidelidade da imutabilidade da natureza humana. Em um de seus lampejos dizia que algumas madames da sociedade carioca de sua época “não tinha cultura, mas tinha finura”.Digo eu, finura o tinha que nasceu pigmeu e morreu gigante e não o contrário tão comum no mundo moderno nascer gigante e morrer pigmeu.
JUAREZ ALVARENGA




