Com o Plenarinho da Câmara de Vereadores lotado de cicloativistas, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) apresentou para a Comissão de Mobilidade Urbana e Planejamento Viário da Casa de Leis, o Plano Cicloviário elaborado para o município. A Audiência Pública, presidida pelo vereador Carmo Luiz, foi realizada na noite de terça-feira, dia 4 de junho.
O Plano Cicloviário tem a meta de atingir 100 km de ciclovias permanentes e dezenas de bicicletários na cidade, até 2016. Atualmente, o município possui cerca de 27 km de espaços cicláveis, incluindo as ciclofaixas de lazer do Taquaral / Norte-Sul e do Ouro Verde, que somente funcionam nos domingos e feriados.
O objetivo da Emdec é oferecer à população a opção de utilizar um meio mais sustentável para pequenos deslocamentos e proporcionar sua integração com o sistema de transporte público coletivo municipal. A bicicleta é indicada para percursos curtos, com raio em torno de 5 km. Com velocidade de 15 km/h, o tempo médio do percurso fica em 20 minutos.
“Nós queremos implementar uma mudança de cultura, colocando a bicicleta como uma opção real de transporte para pequenos percursos, para o trabalho ou estudo e não apenas para as atividades de lazer”, declarou o secretário de Transportes e presidente da Emdec, Sérgio Benassi.
“É um processo que leva tempo e conscientização da importância de uma convivência harmônica no trânsito entre pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas. O poder público busca cumprir o papel de proporcionar uma infraestrutura adequada e segura para o uso da bicicleta”, concluiu Benassi.
Projeto
Os trajetos definidos no Plano Cicloviário atendem, necessariamente, a equipamentos públicos importantes, como escolas, creches, hospitais, centros de saúde e áreas de lazer (bosques, praças, teatros, entre outros). Nesses locais e também nos terminais urbanos estão previstas instalações de bicicletários para o estacionamento das bicicletas.
As ciclovias irão contemplar todas as regiões da cidade, divididas em macrozonas. Os prováveis percursos foram definidos por técnicos da Emdec e grupos de ciclistas. A rede será interligada ao Sistema InterCamp e passará por vias arteriais das principais regiões, chegando até os Corredores do BRT no Ouro Verde e Campo Grande, nos terminais urbanos e nas estações de transferência.
Vale destacar que as ciclovias são espaços para uso exclusivo de bicicletas, segregados da via por algum tipo de elemento físico, como uma guia, sarjeta ou prisma de concreto. Já as ciclofaixas também são de uso exclusivo de bicicletas, mas são demarcadas na via por sinalização de solo, como pintura ou faixa ou segregadas por elementos como tachões, cones e balizas.
Trajetos iniciais
A Emdec já identificou alguns trechos, para a implantação dos primeiros trajetos do Plano Cicloviário. A ciclovia Norte-Sul já está em adiantado processo de estudo, com o projeto executivo iniciado. O percurso terá 2,5 km de extensão, saindo do Viaduto São Paulo, mais conhecido como Laurão, seguindo pelo canteiro central da Avenida José de Souza Campos (Norte-Sul), passando pela Rua Araguaçu e seguindo pela João Iamarino, até a Avenida Palestina. A ciclovia vai chegar até o Parque Anhumas.
Outro trajeto em estudo será o do corredor universitário. O traçado inicial proposto é 3 km, partindo da Avenida Comendador Enzo Ferrari, seguindo pela Avenida Antônio Carlos Sales Júnior, chegando à Praça Agenor Oliveira Cartola, de onde acessará o canteiro central da Avenida Princesa D’Oeste, passando em frente ao estádio do Guarani e se interligando com a ciclovia da Norte-Sul.
Na região do Ouro Verde há o estudo de uma ciclovia na Avenida Coacyara, fazendo a ligação com o Parque Linear, no Jardim Capivari. No Campo Grande, um dos traçados possíveis liga a Praça da Concórdia à Praça João Amazonas. Também há traçados com estudos adiantados para Barão Geraldo, Parque Prado e as regiões dos jardins São Marcos, Santa Mônica e Amarais.
Projeto de lei
Durante a Audiência Pública sobre o Plano Cicloviário, a Emdec também solicitou aos vereadores empenho para futuramente aprovar uma proposta de projeto de lei que permite a empresa explorar as áreas e edificações utilizadas no transporte urbano, para o uso de publicidade. A nova receita poderá viabilizar vários projetos viários, incluindo alguns trajetos do Plano Cicloviário.
Para a implantação da ciclovia da Norte-Sul, a estimativa é da necessidade de R$ 2,5 milhões, valor que o poder público não tem disponibilizado e precisa de parceiros.
Dados de ciclovias
Atualmente Campinas possui cerca de 27 km de ciclovias, ciclofaixas e ciclofaixas de lazer. As ciclofaixas de lazer são abertas apenas aos domingos e feriados, no período das 7h até as 12h.
– Ciclofaixa de Lazer Taquaral / Norte Sul: 9,1 km (atualmente operante entre a Lagoa do Taquaral e viaduto “Laurão”, incluindo Kartódromo, Praça Arautos da Paz e Avenida Norte-Sul).
– Lagoa do Taquaral – Ciclofaixa permanente com 5 km de extensão (a ciclofaixa da Lagoa do Taquaral integra a ciclofaixa de lazer, mas pode ser usada durante todos os dias da semana).
– Arautos da Paz – Ciclovia permanente com 1,2 km de extensão (também integra a ciclofaixa de lazer).
– Ciclovia do Kartódromo – 1,3 km (integra a ciclofaixa de lazer e funciona somente aos domingos e feriados, dentro do Kartódromo, das 7h às 12h).
– Ciclofaixa de Lazer do Ouro Verde – 2,2 km (atualmente operante no trecho da Avenida Coacyara entre o Bosque Augusto Ruschi e a Rua Bambui).
– Barão Geraldo – 1,2 km de ciclovia e 2,7 km de ciclofaixa permanentes.
– Amarais – Ciclofaixa permanente com 2,7 km de extensão (bidirecional).
– Parque Linear Dom Pedro – Ciclovia permanente com 1,7 km de extensão (bidirecional).





