Micos e saguis são nomes populares e, dependendo da região, são chamados por um por outro, mas muitas vezes se referem à mesma espécie.
A espécie mais facilmente encontrada nos distritos é a Callihrix Penicillata (sagui-de-tufo-preto), que é nativa da região Cento-oeste do Brasil e habita cerrados, florestas semidecíduas, florestas secundárias e matas ciliares. Apesar de serem comuns, é uma espécie considerada vulnerável no Estado de São Paulo.
Foi introduzida, há vários anos, em outras regiões de mata atlântica, se estabelecendo e ocupando a área de outras espécies nativas. “A associação entre primatas nativos e exóticos pode resultar em competição por recursos e troca de parasitas, o que constitui uma ameaça à conservação da espécie nativa, como o que vem ocorrendo no Rio de Janeiro em relação ao mico-leão-dourado”, exemplifica a zoóloga e professora universitária, Luiza Ishikawa.
Os saguis são inteligentes, dinâmicos e muito cativantes, o que faz com que muitas pessoas os desejem como animais de estimação, um tipo de brinquedinho. Mas ao contrário dos gatos, cães e outras espécies, esses animais, ao longo de sua evolução, se tornaram cada vez mais silvestres e não se adaptaram para conviver no mesmo espaço que o ser-humano.
Deve-se lembrar sempre que eles são animais silvestres. A amizade deles irá enfraquecer assim que atingirem a maturidade sexual, se tornarão mais agressivos e poderão atacar sem motivo aparente. Vão roer os móveis, rasgar as cortinas e, além disso, evacuarão onde estiverem assim que sentirem vontade. São completamente desinibidos e poderão criar situações que causem certo constrangimento, como por exemplo, exibir a genitália e se masturbarem.
São animais de hábitos diurnos, vivem em grupos de sete a 15 indivíduos. Possuem uma estrutura social baseada na hierarquia, onde algumas fêmeas dominantes procriam e as demais são inibidas fisiologicamente para não se reproduzirem. A gestação dura 150 dias e nascem dois filhotes, que recebem cuidados do grupo todo, especialmente do pai e dos irmãos mais velhos. Mamam até os seis meses, após oito semanas já começam a aprender a procurar alimentos em com apenas 18 meses já estão maduros para a reprodução.
Quem possui algum exemplar em cativeiro deve fornecer uma dieta rica e balanceada, quem imagina que eles só comem banana está enganado. Alimentam-se de insetos, frutos, flores, folhas, ovos e pequenos animais. Na natureza utilizam-se também de exsudato, um tipo de goma produzida por algumas árvores, que é rica em carboidrato e uma ótima fonte de energia. A zoóloga explica que: “Deve-se manter o bem estar do animal, procurando diversificar as atividades com enriquecimento ambiental (cognitivo), como por exemplo, proporcionar as atividades em que o animal precise solucionar algum problema”. De acordo com Luiza, nesse caso, pode-se oferecer o alimento dentro de potes plásticos, além do enriquecimento sensorial (cheiros diferentes), físico (espalhar brinquedos diferentes para as brincadeiras) ou social (no cativeiro, pode ser com espécies diferentes). O intuito dessas atividades é manter o animal sempre ativo.
No Brasil, existem vários criadores da nossa fauna autorizados pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para criar e vender animais silvestres e exóticos. Apesar de existirem locais autorizados a comercializá-los a zoóloga acredita que não é justo mantê-los em cativeiro, privando-os da liberdade e muitas vezes sem os cuidados necessários. “O que muitos não sabem é que estes animais também estão sujeitos a comportamentos anormais, como atos repetitivos, automutilação, salivação excessiva e outros não condizentes com sua espécie. Isso é sinal de que algo está errado”, explica Luiza.
A população deve se conscientizar para não alimentar esses animais, principalmente com produtos industrializados e nunca oferecer parte do alimento que o humano está ingerindo porque pode transmitir várias doenças para o animal, como por exemplo, a herpes, que pode matá-lo.
Francisco Lima Neto




