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quinta-feira, fevereiro 5, 2026
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ALEITAMENTO MATERNO: APRENDIZAGEM DE UM ATO AMOROSO

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Por Mônica Guberman

Por mais freqüentes que sejam as campanhas de orientação sobre a importância do aleitamento materno durante os seis primeiros meses de vida do bebê, é preciso que levemos em consideração que tal ato não pode ser considerado como algo “natural” e simplesmente determinado pelo funcionamento hormonal da mulher parturiente. Os aspectos biológicos da lactação são sem dúvida alguma bastante evidentes, mas para que os mecanismos fisiológicos que envolvem esse processo possam acontecer de forma satisfatória é necessário que a mãe possa se sentir segura e estável sob um ponto de vista psicológico tanto durante a gravidez, quanto no momento que vai dar à luz e nos dias que se seguem a esse período, garantindo dessa forma que os aspectos físicos da produção de leite encontrem respaldo nas condições emocionais da mãe. Quando isso não acontece alguns problemas podem surgir dificultando tão delicado período de ajuste a uma nova realidade. Como grande parte de tudo o que diz respeito ao comportamento dos seres humanos, o aleitamento materno deve ser aprendido pelas jovens parturientes através das experiências transmitidas pelo círculo feminino de mães, avós e amigas que já tenham trilhado anteriormente essa jornada. Por essa razão tal processo pode ser considerado também como um fenômeno sócio-culturalmente condicionado determinado em grande parte pelo pensamento e filosofia predominantes de cada momento histórico. Nesse sentido se houveram épocas em que seria impensável que mães de classes abastadas amamentassem seus filhos, ficando tal encargo sob a responsabilidade de amas de leite, em dias atuais com a crescente valorização dos aspectos psicológicos da relação mãe-filho, o ato de amamentar passa a ser percebido como de grande importância para toda uma estruturação emocional do bebê. No entanto apesar do aleitamento ser publicamente reconhecido hoje em dia como de fundamental importância para o desenvolvimento sadio do bebê, não só pelos aspectos de estimulação de defesas do sistema imunológico, mas também pelo estabelecimento de um vínculo mais estreito entre a mãe e seu filho, muitas são as dificuldades encontradas para a sua realização de uma forma satisfatória. As origens para isso podem ser explicadas através de razões sociais, econômicas, psicológicas e familiares. Não precisamos ir muito longe em tempos históricos quando afirmamos que os cuidados realizados para com as gerações mais novas era largamente compartilhado por pais e mães que participavam mais de perto da gestação, parto e puerpério de suas mulheres, permitindo que toda uma ‘tecnologia de amamentação’ fosse aprendida. No entanto em dias atuais as sociedades ditas modernas impuseram um estilo de vida aos seus indivíduos bastante cruel nesse sentido, quase que os obrigando a descobrirem de forma muito isolada e solitária certos mistérios relativos à paternidade e à maternidade. Os espaços de troca e compartilhamento se tornaram escassos levando pais e mães a contarem cada vez mais com mecanismos de terceirização nos cuidados para com seus rebentos. Outro aspecto importante a ser considerado consiste no fato de que se por um lado a importância que é atribuída à amamentação permite à mulher sentir-se valorizada em seu papel de mãe, por outro lado as pressões social e familiar quanto a sua performance nessa área podem trazer um nível de stress que além de desnecessário se torna bastante prejudicial. Pode parecer estranho se dissermos que o aleitamento materno é um ato de amor a ser desenvolvido, todavia não existe nenhuma contradição nessa afirmação se entendermos que o amor em si é natural mas a forma como vamos demonstrá-lo muitas vezes precisa de algumas condições para que isso possa acontecer. Querer amamentar é o primeiro passo, mas precisamos assegurar à jovem mãe que medos e falhas são naturais, que todo um caminho de aprendizagem desse ato de amor é necessário, e que os possíveis ‘altos e baixos’ do processo não são representativos de ausência de amor ou cuidados, muito pelo contrário, simbolizam a importância e a vontade que essa mulher tem de se doar enquanto mãe.

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