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sexta-feira, fevereiro 27, 2026
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Contaminação por salmonella é mais freqüente em restaurantes e lanchonetes de SP

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Alimentos com ovos são responsáveis por 64% dos casos, aponta balanço da Secretaria de Estado da Saúde

A ingestão de ovos crus ou mal cozidos e de alimentos a base de ovos é responsável por 64% dos surtos de diarréia aguda por contaminação com bactérias do grupo salmonella no Estado de São Paulo. É o que aponta levantamento inédito da Secretaria de Estado da Saúde com base na análise de 199 surtos com 6,2 mil casos de diarréia entre os paulistas ocorridos no período de 1999 a 2007.
Segundo o estudo, 27% dos surtos foram relacionados ao consumo de pratos a base de ovos, como coberturas de bolos, mousses, maioneses caseiras, tortas, salgados e lanches, por exemplo. Outros 37% tiveram como causa a ingestão direta de ovos cruz ou mal cozidos.
O levantamento ainda revelou que 34% das contaminações ocorreram após o consumo de alimentos em restaurantes, lanchonetes, padarias ou outros estabelecimentos comerciais que servem comida, e 22% na residência das pessoas. O consumo de alimentos em festas e eventos foram responsáveis por 14% dos surtos. Os ovos relacionados aos surtos que foram estudados eram provenientes de granjas comerciais legais, e não de estabelecimentos clandestinos ou criações domésticas.
Os dados da Secretaria foram apresentados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que irá realizar consulta pública para aprovar nova regulamentação sobre nova rotulagem dos ovos, com avisos ao consumidor sobre formas adequadas de como consumir o produto para evitar a salmonellose. Países da Europa e os Estados Unidos já adotaram medidas semelhantes.
Para a médica epidemiologista Maria Bernadete de Paula Eduardo, coordenadora do estudo e responsável pela Divisão de Doenças Transmitida por Água e Alimentos do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria, o número de casos de salmonellose no Estado relacionado ao consumo de alimentos com ovo mal preparados pode ser ainda maior.
“Somente 40% das pessoas que ficam doentes procuram serviços de saúde, e os médicos normalmente solicitam os exames apenas nos casos considerados mais graves. Além disso, nem sempre há sobras dos alimentos suspeitos ingeridos para a realização dos testes laboratoriais necessários”, afirma Bernadete.
Além de diarréia, uma pessoa contaminada com salmonella pode apresentar febre e cólicas de 12 a 72 horas depois de consumir o alimento contaminado. Em alguns casos, quando a diarréia é severa, há necessidade de internação. Crianças, gestantes e idosos podem apresentar formas graves da doença, como infecção que pode passar do intestino para a corrente sanguínea ou para outros órgãos do corpo.

Medidas de prevenção

– Procure comprar ovos em estabelecimentos que armazenam o produto em prateleiras refrigeradas.
– Mantenha ovos sempre na geladeira
– Descarte ovos quebrados ou sujos
– Lave bem as mãos, utensílios e superfícies da pia, com água e sabão, após o contato com ovos crus, para não contaminar outros alimentos com resíduos do produto.
– Coma os ovos bem cozidos
– Guarde sempre na geladeira as sobras de alimentos feitos com ovos
– Evite comer pratos à base ovos crus, como determinados sorvetes artesanais ou caseiros, mousses, coberturas de bolo, maionese caseira e molhos.

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