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quinta-feira, fevereiro 26, 2026
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Manifestando o Que Realmente Somos

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Muitos dos que se fizeram mais conscientes e sensíveis procuraram, ao longo dos séculos, um caminho que conduzisse à libertação dos sofrimentos inevitáveis à existência humana. Persistiram na busca de um antídoto à dor resultante do caráter efêmero daquilo que produz satisfações, das sensações de incompletude, fraqueza, solidão e insegurança, do caráter superficial atribuído à própria vida. E, todos trazendo sentimentos de culpa, conscientes ou não.
Como denominador comum ao resultado dessa busca, filósofos e mestres espirituais vêm apontando o autoconhecimento, a descoberta de si mesmo, como experiência fundamental à resolução da problemática existencial humana.
Assim, já na Antigüidade grega convidava um conhecido sábio: “Conhece-te a ti mesmo”.
A chave para o perfeito autoconhecimento e a conseqüente libertação do que nos impede de manifestarmos aquilo que realmente somos, passa pela concretização do resumo que o Mestre Maior fez da ‘Lei e dos Profetas’: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Revelando aí o cerne de seu Evangelho.
Separamo-nos de nossa real Essência ao construirmos nosso ego e com ele nos identificarmos. Esse ego consiste no conjunto de crenças e preconceitos associados à condição mortal de nosso corpo físico e às máscaras que assumimos para satisfazer exigências familiares e sociais. Implica na ilusória percepção de uma existência separada do Todo a que pertencemos, e resulta em sentimentos de medo, ansiedade, defensividade, competitividade e, em todas as formas de violência. Manifesta-se através de diferentes e numerosos pequenos eus.
Então, o elo que nos possibilita a progressiva religação ao nosso Ser Essencial, íntegro, não dividido e, concomitantemente o reencontro com nosso Criador (que permanece Presente em nosso mais profundo recôndito), reside no encontro com o Outro, com todo aquele que reconhecemos como nosso semelhante, com aquele que nos é próximo.
Porque o que observamos nesse outro, com o qual nos deparamos, não passa de uma projeção do que atualmente possuímos como conteúdo interno, revelando-o.
Pois, tudo o que “vemos” fora de nós, só podemos percebê-lo segundo nossas lentes pessoais.
Na realidade, criamos nosso próprio universo, na medida em que representamos em nossa tela mental o que julgamos observar como tendo existência objetiva, independente, fora de nós.
Em outras palavras, ignoramos, amiúde, o fato fundamental de que reconhecemos o que se apresenta fora de nosso corpo, e mesmo interiormente o reconstruímos a partir do que já está presente em nossa mente, nossa emoção, nossa alma. Isto é, apenas podemos reconhecer algo, a partir daquilo que previamente simbolizamos. Não podemos reconhecer aquilo que cabalmente ignoramos. Então, até que nos desprendamos de nós mesmos, o novo será inevitavelmente construído moldado em experiência passada. Em conseqüência, a cura do presente passa pela cura de nossa herança psíquica, do que trazemos em nossa alma.
A profunda conseqüência desse fato reside em que a única possibilidade de desvelarmos o que se esconde dentro de nós mesmos, só pode ser revelado no encontro com o Outro. Assim, cada pessoa com a qual nos deparamos possibilita conhecermos facetas de nós mesmos. Facetas por vezes para nós mesmos insuspeitas, as quais não queremos aceitar.
Por isso, precisamos atentar justamente para aquilo que nos é mais difícil acolher no próximo. Porque aquilo de que temos mais dificuldade para nele tolerar, compreender é exatamente o que mais necessitamos transformar, na reforma de nós mesmos. Faz-se necessário aprender a amar justamente aquilo em que nos revelamos mais carentes, aquilo com que lidamos com maior dificuldade.
Por outro lado, a importância do outro em nossa vida, torna-se evidente quando tomamos consciência de que para que nosso Espírito se manifeste em um Corpo Físico, precisamos recebê-lo de nossos Pais, que ainda encarregar-se-ão de alimentá-lo, de protegê-lo. Também precisamos de um grupo social que nos ofereça sua língua, para construirmos a linguagem que nos possibilite, inclusive, a auto-comunicação: “pensamos silenciosamente, mas utilizando nossa língua mãe”. E, os objetos com que nos deparamos adquirem significado, tão logo sejam associados ao simbolismo do meio cultural em que vivemos.
Assim, definitivamente não seriamos humanos sem a presença de nosso próximo, seja individualmente, seja através de grupo social.
Nem poderíamos nos conhecer, para além dos prejuízos e limitações da percepção egoíca, se o outro não estivesse ao nosso lado, possibilitando continuamente a revelação de nossos conteúdos de mente e alma. E, sobretudo, o real exercício de nós mesmos.
Então, apenas poderemos nos reconciliar com a Vida, e a nós mesmos amar, na medida em que amorosamente nos vermos refletidos em nossos semelhantes.
Concluindo, deixamos o convite para reformarmos a nós mesmos, revendo os sentimentos, pensamentos e ações que dirigimos a quem quer que esteja no foco de nossa consciência, fisicamente ou apenas em nossa lembrança.
Um segundo convite explicita o anterior na questão dos julgamentos e do perdão. Compreender permite a correção do que esteja errado; julgar implica em robustecer em nosso íntimo e, no ser de nosso semelhante, precisamente o que nos propusemos a criticar.
Pois, quando pensamos, emitimos formas-pensamentos que acabam por reforçar, automaticamente, pensamentos e emoções similares. No caso do perdão, enquanto não for ele autenticamente oferecido ao espelho em que se constitui nosso Semelhante, estaremos impedindo que seja ele, por sua vez, aplicado a nós mesmos.
Lembremos: Estamos em nosso Próximo, assim como ele está em nós. Se, em verdade, o aceitarmos e acolhermos experimentaremos a completude, pois então não mais permaneceremos alienados de nosso Ser mais profundo, o eterno Ser que em realidade somos. O que significa: reencontramos o Pai, quando experimentamos a Consciência amorosa do Filho, no encontro com nosso Próximo. Não sem este. Nunca sem ele. Eis a razão do porque não poderemos alcançar a salvação de nós mesmos, fora da prática da autêntica e profunda caridade. E, porque o Filho do Homem, modelo e expressão de nossa própria perfeição, se manifesta quando pelo menos duas pessoas em seu Nome interagem.
Sucesso nessa empreitada!

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