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sexta-feira, julho 17, 2026
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Em vídeo, homem desesperado no DF implora por comida: “É fome, por favor, é fome!”

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A extrema pobreza quase triplicou, passando de 4,5% da população para 12,8%. Com números tão alarmantes, o país, que tinha saído do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a figurar nesta triste posição.

 

 

Um vídeo postado nas redes sociais, na última terça-feira (2º), mostra um homem implorando por comida, no estacionamento de um prédio residencial na Quadra 106 da Asa Norte, Plano Piloto de Brasília. O momento foi registrado pelo jornalista Carlos Alberto Jr., que postou em sua conta no Twitter. O vídeo acabou viralizando na internet, alcançando centenas de milhares de pessoas em diferentes plataformas, após ser reproduzido em diferentes contas.

No vídeo, é possível ouvir o homem, identificado como Marcos, pedindo desesperadamente por comida: “Alguém compra arroz pra nós, alguém compra um leite? É fome, por favor, é fome”.

“Brasília está muito complicada. O número de crianças e adolescentes pedintes, vendendo bala em sinal, também aumentou demais! Parece um flashback da minha infância por aqui nos anos 80. Sem contar o número de pessoas acampadas em vários pontos da cidade. Triste demais”, disse uma mulher em resposta à postagem de Carlos Alberto. Em outra interação, uma seguidora lembrou que a situação é nacional.

“Infelizmente é por todo o Brasil, pessoas rasgando lixo e pedindo comida de casa em casa. Gente que não tava acostumado a fazer isso mas perdeu emprego e sem emprego não se paga aluguel. Gente que ficou com sequelas do covid sem trabalhar e sem auxílio, a fome aumenta dia a dia”, escreveu.

 

A fome no país

Já são mais de 116 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o que é mais da metade da população. Desse total, 43,4 milhões de pessoas não tinham comida o suficiente e 19 milhões estavam efetivamente passando fome, segundo dados do “Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19 no Brasil”, elaborado pela Rede PENSSAN no início deste ano.

A extrema pobreza quase triplicou, passando de 4,5% da população para 12,8%. Com números tão alarmantes, o país, que tinha saído do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a figurar nesta triste posição.

 

Situação no DF

Sobre o Distrito Federal, um estudo recente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) mostrou que o percentual famílias que vivem na pobreza passou de 12,9% para 20,8% da população. Já a extrema pobreza passou de 3,2% para 7,3%. Foi o pior desempenho entre todas as capitais do país. Somados, esses dois grupos formam um contingente de mais de 860 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social na capital do país. O Banco Mundial considera que alguém está em situação de pobreza quando tem uma renda de US$ 5,50 por dia (cerca de R$ 28,60). Na extrema pobreza, a renda é de US$ 1,90 por dia (R$ 10,45).

No ano passado, durante a primeira rodada de pagamento do Auxílio Emergencial, quando o valor do benefício pago era de R$ 600, quase 800 mil famílias recebiam no DF. Este ano, o número de beneficiários caiu pela metade e agora, com o fim do programa, cerca 391 mil pessoas podem ficar sem renda mínima na capital do país.

Outro problema é a inflação dos alimentos. Brasília registra o maior aumento da cesta básica de alimentos entre as capitais. De setembro de 2020 a setembro de 2021, no acumulado de 12 meses, o percentual de aumento do produto na capital do país já soma de 38,56%, disparado o maior valor entre 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese). Atualmente, o valor médio da cesta de alimentos na capital do país está em R$ 617,65, o sétimo maior valor entre as capitais pesquisadas.

Sofia Anouk, integrante do Projeto Dividir, uma organização não-governamental (ONG) que busca desenvolver uma rede de solidariedade principalmente a população em situação de rua, com doação de alimentos e itens básicos, afirma que a situação vem se agravando cada vez mais desde o início da pandemia.

“Estamos nas ruas diariamente desde o início da pandemia, em março de 2020, e com o passar do tempo a gente foi percebendo um aumento significativo da população de rua. E as famílias que antes não estavam em situação de vulnerabilidade tão intensa, agora estão. Por conta do nível de desemprego, que está muito alto, e também por conta do alto preço das coisas, que não é compatível com a renda das pessoas”, analisa. “Parece uma estratégia de um Estado que quer ignorar, que não se importa, que não quer lidar com esse problema, muito menos resolvê-lo”, acrescenta.

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