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segunda-feira, junho 8, 2026
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Ex-diretor da Emdec demitido após vídeos da Smile acumula histórico de condenação no TCE-SP

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Durante mais de uma década, ele atuou em funções de confiança vinculadas ao grupo político da ex-parlamentar, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e, posteriormente, na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado

Durante aproximadamente uma década, atuou em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo e posteriormente ocupou o cargo de chefe de gabinete quando ela assumiu a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.. mp governo Doria

<OUÇA A REPORTAGEM>

A demissão de Ricardo Ferraro Geciauskas do cargo de diretor financeiro e administrativo da Emdec acrescentou um novo capítulo à crise envolvendo a licitação do transporte coletivo de Campinas, estimada em cerca de R$ 11 bilhões. O desligamento ocorreu após a divulgação de vídeos que mostram o então diretor visitando a sede da Smile Transportes durante o período de recursos e análise do processo licitatório que definirá a operação do transporte público na cidade.

As imagens, divulgadas pelo Correio Popular, registram Geciauskas chegando à empresa em um veículo Mercedes-Benz, permanecendo no local por aproximadamente uma hora e deixando as instalações carregando objetos que não puderam ser identificados com clareza pelas gravações. A Emdec informou que a visita não foi comunicada previamente à companhia e não possuía caráter institucional autorizado.

Investigações

O caso ganhou repercussão após a divulgação de outros vídeos gravados na sede da Smile Transportes. Em uma das gravações, o empresário Emerson de Jesus, ligado ao consórcio vencedor do Lote Norte da licitação, faz referências a supostas articulações envolvendo um deputado não identificado, contatos relacionados ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e a servidores públicos.

O conselheiro do TCE-SP, Dimas Ramalho, afirmou em nota que não conhece as pessoas citadas nas gravações e negou qualquer reunião paralela envolvendo familiares ou parlamentares sobre o processo. Segundo ele, o procedimento seguirá sua tramitação regular nos órgãos de controle.

A Smile Transportes declarou que os vídeos foram obtidos de forma ilegal, teriam sido editados e apresentados fora de contexto. A empresa sustenta que não praticou qualquer irregularidade e informou que pretende adotar medidas judiciais contra os responsáveis pela obtenção e divulgação do material.

Paralelamente, novas imagens divulgadas mostram conversas entre empresários da transportadora nas quais é mencionado o nome do vereador Vini Oliveira. Em um dos trechos, interlocutores citam uma suposta cobrança de R$ 20 mil atribuída ao parlamentar. A equipe do vereador e dirigentes do partido Cidadania foram procurados pela imprensa, mas não haviam se manifestado até a publicação das reportagens citadas.

HISTÓRICO

Segundo apurou a nossa reportagem através de fontes que não querem se identificar, antes de assumir funções na Emdec, Geciauskas construiu sua trajetória política ao lado da ex-deputada estadual Célia Leão. Durante aproximadamente uma década, atuou em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo e posteriormente ocupou o cargo de chefe de gabinete quando ela assumiu a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Foi justamente nesse período que seu nome passou a integrar um processo analisado pelo Tribunal de Contas do Estado. Como chefe de gabinete, ele assinou contrato de R$ 4,99 milhões para aquisição de kits de livros em Libras destinados ao programa Cidade Acessível.

O TCE-SP julgou a contratação irregular e aplicou multa pessoal ao então gestor. Segundo os apontamentos do tribunal, houve falhas na justificativa para a inexigibilidade de licitação e ausência de comprovação de que o material adquirido era exclusivo no mercado. Auditorias também apontaram problemas relacionados ao armazenamento e à distribuição dos materiais adquiridos.

Bastidores políticos

A trajetória de Ricardo Ferraro Geciauskas na administração pública está diretamente ligada à carreira da ex-deputada estadual e ex-secretária estadual Célia Leão. Durante mais de uma década, ele atuou em funções de confiança vinculadas ao grupo político da ex-parlamentar, inicialmente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e, posteriormente, na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado.

Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que Geciauskas iniciou sua trajetória no círculo político de Célia Leão como motorista e, ao longo dos anos, passou a ocupar cargos de maior responsabilidade administrativa, chegando à função de chefe de gabinete da secretaria estadual durante o governo de João Doria.

Foi nesse período que ocorreu a contratação de R$ 4,99 milhões para aquisição de materiais didáticos em Libras, posteriormente considerada irregular pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que aplicou multa ao então chefe de gabinete. O caso é apontado por especialistas em administração pública como um dos episódios mais relevantes de sua trajetória antes da chegada à Emdec.

Até o momento, porém, não há manifestação pública da ex-secretária sobre a indicação ou sobre os fatos investigados envolvendo o ex-diretor da empresa municipal.

A presença de Geciauskas nas imagens registradas na sede da Smile Transportes acrescenta um novo elemento à investigação conduzida pelos órgãos de controle e amplia os questionamentos sobre a relação entre agentes públicos, empresários e a licitação bilionária do transporte coletivo de Campinas.

Desdobramentos

A exoneração de Geciauskas foi acompanhada da abertura de procedimento administrativo pela Emdec para apurar os fatos revelados pelas imagens. A companhia informou que o ex-diretor não integrava a comissão responsável pela licitação do transporte público e que colaborará com eventuais investigações conduzidas pelos órgãos competentes.

O caso também ocorre em meio ao avanço de apurações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil envolvendo suspeitas relacionadas à licitação do transporte coletivo de Campinas. Os órgãos investigam possíveis irregularidades, eventual favorecimento indevido e a relação entre agentes públicos e empresários ligados ao setor.

Enquanto as investigações prosseguem, a licitação do transporte coletivo permanece sob análise dos órgãos de controle e da Justiça, que avaliam questionamentos apresentados sobre o certame bilionário responsável por definir a operação do sistema de ônibus da cidade pelos próximos anos. As investigações continuam em andamento e ainda depende de apuração dos fatos. A reportagem do Jornal Local segue acompanhando

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