Senador assinou recurso no STJ em caso que irá a júri popular após denúncia do Ministério Público

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O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) atuou como advogado de defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina Ana Clara Machado, de 5 anos, durante uma ação policial em Niterói (RJ), em 2021. O caso, que teve ampla repercussão nacional, será julgado pelo tribunal do júri após decisão mantida pelo Superior Tribunal de Justiça.
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Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a criança foi atingida por disparo de fuzil enquanto brincava na porta de casa com o irmão, na comunidade Monan Pequeno. A acusação sustenta que o policial atirou em direção a uma área residencial “assumindo o risco de matar”, mesmo após alertas de moradores.
DEFESA ATUOU PARA EVITAR JÚRI POPULAR
Flávio Bolsonaro integrou a banca que apresentou recurso, em 2024, para tentar reverter a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que determinou o envio do caso ao júri popular. O pedido foi negado pelo STJ, e não cabe mais recurso. O policial aguarda julgamento.
A peça também foi assinada por advogados ligados aos escritórios Paulo Klein Advogados e Giusto e Klein Advocacia, incluindo Paulo Márcio Ennes Klein, que já atuou na defesa de Fabrício Queiroz em investigações sobre “rachadinhas”.
Procurados, os escritórios e o senador não se manifestaram.
VERSÕES CONFLITANTES SOBRE A MORTE
De acordo com o Ministério Público, não houve confronto armado no momento do disparo. Testemunhas afirmaram que não havia atividade criminosa na área e que moradores chegaram a gritar “é morador” para tentar interromper os tiros.
A denúncia aponta ainda que a viatura policial não apresentava sinais de confronto e que cápsulas encontradas no local eram compatíveis com a arma do acusado. Também há relatos de demora no socorro à vítima.
Em sua defesa, o policial alegou ter reagido a uma suposta agressão de traficantes armados.
OUTROS CASOS E ATUAÇÃO JURÍDICA
O senador também atuou na defesa de quatro policiais militares acusados de uma emboscada no Morro do Vidigal, em 2020, que resultou na morte de quatro pessoas. Segundo o MPRJ, os agentes teriam se posicionado em um imóvel e efetuado disparos de surpresa, “sem chance de defesa” para as vítimas.
Nos dois casos, a defesa buscou evitar o julgamento pelo tribunal do júri — estratégia rejeitada pela Justiça.
CONEXÕES, INVESTIGAÇÕES E IMPACTO POLÍTICO
A atuação de Flávio Bolsonaro como advogado ocorre em paralelo a investigações e controvérsias envolvendo seu entorno político e profissional. O senador mantém escritório de advocacia em Brasília e, segundo reportagens, possui vínculos indiretos com personagens citados em apurações recentes, incluindo desdobramentos de uma CPMI sobre fraudes no INSS.
Relatório alternativo da comissão chegou a pedir seu indiciamento por suposta ligação com pessoas investigadas, o que amplia a pressão política sobre o parlamentar.
Além disso, o histórico de relações com policiais militares e figuras associadas a milícias no Rio de Janeiro tem sido alvo recorrente de investigações e reportagens. Especialistas avaliam que a sobreposição entre atuação jurídica, mandato político e conexões no setor de segurança pública pode gerar questionamentos sobre conflito de interesses e influência institucional.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não comentou publicamente os desdobramentos mais recentes dos casos.




