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Instituto realiza o mais completo mapeamento genético do peixe-boi marinho no Brasil

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Instituto realiza o mais completo mapeamento genético do peixe-boi marinho no Brasil

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realiza, com o apoio de um órgão similar do governo norte-americano, o mais completo mapeamento genético do peixe-boi marinho (Trichechus manatus) no Brasil.

Denominado “Avaliação da diversidade genética populacional e estratégias conservacionistas para o peixe-boi marinho no Brasil”, o estudo é executado pelo Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA), em parceria com o Laboratório de Análises Genéticas do Sirenian Project, da United States Geological Survey (órgão que cuida da biodiversidade nos EUA), em Gainesville, na Flórida.

A pesquisa, que conta ainda com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade da Flórida, se junta a um projeto maior que visa traçar o mapa genômico do peixe-boi marinho no mundo. Iniciativas idênticas já foram levados a cabo nos EUA, México, Belize e Guianas – países que, junto com o Brasil, registram a ocorrência desse animal, um dos mais ameaçados do planeta. No litoral brasileiro, há apenas 500.

LINHAGEM – O mapeamento genético permitirá ações de manejo capazes de, em alguns anos, fazer surgir no Brasil uma linhagem de peixes-bois marinhos geneticamente melhorados, mais resistentes a doenças, intempéries, poluição, intoxicações e, principalmente, aos efeitos das mudanças climáticas – uma ameça que paira sobre a biodiversidade do planeta.

O mapeamento proporciona o levantamento de dados que só a análise genética pode oferecer, como a existência de sub-populações de peixe-boi marinho e a ocorrência de híbridos (filhotes de espécies distintas) entre peixe-boi marinho e amazônico. Pelo menos um híbrido, já foi identificado pelos pesquisadores brasileiros.

De posse desses dados, o CMA vai definir estratégias de conservação do peixe-boi marinho no Brasil. Entre elas, uma melhor distribuição geográfica da variabilidade genética em toda a área de ocorrência do animal, que vai do litoral do Amapá ao de Alagoas, e o estabelecimento de normas e procedimentos para reintrodução dos peixes-bois reabilitados a fim de que haja um melhoramento genético da espécie.

“Ao constatar, por exemplo, que em determinado local há uma subpopulação de peixes-bois marinhos com baixa variabilidade genética, poderemos fazer reintroduções de animais com perfil genético diferente, aumentando a variabilidade e diminuindo a probabilidade de endocruzamento (cruzamento entre animais parentes), o que pode ocasionar perdas genéticas e comprometer a vida e a saúde dos animais e a conservação da espécie”, diz a doutoranda em Oceanografia e chefe do CMA, Fábia Luna, coordenadora-geral da pesquisa.

AMOSTRAS – Segundo Fábia, o projeto já colheu no Brasil mais de 50 amostras de tecidos e de sangue de peixes-bois resgatados vivos ou mortos no litoral entre o Ceará e Alagoas e de animais reintroduzidos ou pertencentes ao plantel mantido nos oceanários do CMA/ICMBio pelo País. No momento, a coleta é feita no litoral entre o Pará e o Maranhão.

Após a coleta, o material é processado no Laboratório de Mamíferos Aquáticos do CMA, em Itamaracá (PE), onde é feita a extração da papa leucocitária (núcleo) da célula através de centrifugação. O núcleo segue para análise nos EUA e o restante do material fica conservado no banco genômico do CMA a uma temperatura de 20º C abaixo de zero.

No final do ano passado, Fábia esteve na sede do laboratório do Sirenia Project, na Flórida (EUA), para realizar a extração do DNA das amostras retiradas dos animais em cativeiro nas bases do CMA e definir as próximas solturas, bem como as áreas e locais de destinação desses animais.

Segundo ela, o projeto adota a análise genética por meio de microssatélites, investigando o DNA do núcleo das células. Esse tipo de análise foi escolhido por ser mais preciso que os outros.

“É uma ferramenta relativamente nova que permite fazer inferências sobre a biologia, comportamento, evolução e história de vida da espécie em nível de populações. É importante para se constatar a variabilidade genética e como ela está estruturada para verificar se existem diferentes sub-populações de peixes-bois e analisar o nível de fluxo gênico entre elas”, diz Fábia, ao ressaltar que nunca foi realizado estudo tão vasto como esse no Brasil.

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