Deputado do PT aponta suspeita de lavagem de dinheiro e triangulação internacional envolvendo Eduardo e Flávio Bolsonaro, fundos no exterior e o Banco Master

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O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e o advogado Reinaldo Santos de Almeida protocolaram um ofício junto à Polícia Federal (PF) e à Interpol no Brasil solicitando cooperação penal internacional urgente. O pedido, anunciado neste domingo (31), baseia-se em reportagens da Agência Pública e do Metrópoles e mira a produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O parlamentar aponta para a existência de uma suposta engenharia financeira transnacional sofisticada. Ele exige o rastreamento de contratos, contas e transferências para identificar os verdadeiros financiadores do projeto e descobrir se a obra audiovisual foi utilizada como fachada para a ocultação de capitais.
No documento, o parlamentar requer o acionamento de escritórios da Interpol nos Estados Unidos, na Holanda e na Hungria para mapear o fluxo do dinheiro. Lindbergh solicita a aplicação da Silver Notice — ferramenta especializada na localização de ativos e bens ilícitos no exterior — e pede pressa na preservação de provas e registros contábeis digitais.
A denúncia detalha transações nebulosas que expõem o envolvimento direto dos filhos do ex-presidente. Documentos indicam que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) constava formalmente como “financiador” da produção, desmentindo sua versão pública de que apenas teria cedido direitos de imagem.
A teia financeira e o clã Bolsonaro
As investigações jornalísticas apontam o direcionamento de cerca de US$ 2 milhões para o fundo Havengate, operado por Eduardo, além de repasses suspeitos via Pix feitos pelo próprio Jair Bolsonaro ao filho. A trama também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusado de intermediar negociações milionárias com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Mensagens mostram que Flávio teria cobrado R$ 134 milhões de Vorcaro, enquanto a produtora Go Up Entertainment teria recebido R$ 61 milhões. Eduardo teria orientado o envio de recursos para os EUA, incluindo uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil para a New Path Pictures Inc., operada pela fundação Stichting Freeway Custody, na Holanda — estrutura que garante o anonimato de investidores.
“É hora de seguir o caminho do dinheiro. Quem financiou? Quem recebeu? Quem ocultou? Quem usou uma suposta produção audiovisual para movimentar recursos no exterior?”, questionou Lindbergh Farias em suas redes sociais. O parlamentar defende que a combinação de empresas e fundações fiduciárias atende ao padrão de crimes financeiros operados pela burguesia para burlar o controle cambial e a soberania nacional. O caso está com a Polícia Federal.</OUÇA>




