
Abstenção chegou a 21,08% no primeiro turno; Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo tiveram os maiores índices, enquanto Ceará registrou a menor ausência
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne aliados nesta segunda-feira (5), em Brasília, para definir a estratégia da campanha no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Entre os públicos que o petista pretende alcançar estão os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Foram 33,4 milhões de brasileiros ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo os dados da Justiça Eleitoral. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
O tamanho desse eleitorado transformou a abstenção em um dos elementos da nova etapa da disputa presidencial. Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro nos votos válidos, e agora as duas campanhas precisam disputar também eleitores que não participaram da primeira votação. A ausência, porém, não significa preferência por um candidato: parte desses eleitores pode votar no segundo turno, repetir a ausência ou justificar o não comparecimento.
São Paulo tem mais de um quinto do eleitorado ausente
São Paulo registrou 22,54% de abstenção, uma das quatro maiores taxas do país. O Estado é o maior colégio eleitoral brasileiro, com mais de 35 milhões de eleitores aptos, o que faz com que uma taxa de ausência acima de 20% represente milhões de pessoas.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula em São Paulo, com 53,38% dos votos válidos, segundo os dados da apuração. O Estado, portanto, reúne duas características importantes para o segundo turno: grande número absoluto de eleitores e uma taxa de abstenção superior à média nacional.
A situação se repete em outros grandes colégios eleitorais.
Os quatro estados com maior abstenção
Mato Grosso do Sul apresentou a maior taxa de ausência, com 23,87%. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 23,32%; Minas Gerais, com 22,79%; e São Paulo, com 22,54%.
Nos quatro estados, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula.
Em Mato Grosso do Sul, Flávio alcançou 59,21% dos votos válidos. Em São Paulo, ficou com 53,38%. No Rio de Janeiro, registrou 53,01%, enquanto em Minas Gerais teve 48,24%.
| Estado | Abstenção | Resultado no 1º turno |
|---|---|---|
| Mato Grosso do Sul | 23,87% | Flávio à frente |
| Rio de Janeiro | 23,32% | Flávio à frente |
| Minas Gerais | 22,79% | Flávio à frente |
| São Paulo | 22,54% | Flávio à frente |
| Brasil | 21,08% | Flávio à frente |
O cruzamento mostra que os quatro estados com maior percentual de ausência tiveram resultado favorável ao candidato do PL no primeiro turno. Isso não permite afirmar, entretanto, que os eleitores ausentes sejam majoritariamente eleitores de Flávio. O TSE ainda não divulgou um perfil eleitoral dos ausentes que permita fazer essa associação.
Ceará teve a menor abstenção
Na outra ponta do ranking está o Ceará, com 15,52% de abstenção, a menor taxa entre os estados. Na sequência aparecem Roraima, com 17,12%; Piauí, com 17,16%; e Sergipe, com 17,30%.
O Ceará também apresenta um contraste com os quatro estados de maior abstenção. Lula venceu no Estado no primeiro turno. Roraima foi uma exceção entre os quatro estados com menor ausência, com Flávio à frente.
A diferença regional coloca o Nordeste em uma situação distinta na estratégia do segundo turno. A região teve índice de abstenção de 18,36%, abaixo da média nacional, enquanto estados importantes do Sudeste apresentaram percentuais superiores a 22%.
Abstenção supera 2022
O número de eleitores que não compareceram às urnas em 2026 superou o registrado no primeiro turno de 2022. Naquele ano, 20,79% do eleitorado deixou de votar, aproximadamente 32,7 milhões de pessoas. Em 2026, o percentual chegou a 21,08%, com cerca de 33,4 milhões de ausentes.
A série histórica mostra aumento da abstenção desde 2006. Naquele ano, o índice foi de aproximadamente 16,8%. Em 2010, passou para 18,2%; em 2014, chegou a 19,4%; em 2018, alcançou 20,33%; e em 2022 ficou próximo de 21%.
Apesar do aumento, 2026 ainda não supera o índice registrado em 1998, quando a abstenção chegou a 21,49% no primeiro turno.
TSE quer reduzir a ausência no segundo turno
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral pretende trabalhar para reduzir a abstenção no segundo turno. A preocupação ocorre justamente diante do número de eleitores que não participaram da primeira votação.
A eleição presidencial será decidida entre Lula e Flávio Bolsonaro no dia 25 de outubro. O primeiro turno teve 158.745.463 eleitores aptos em todo o país.
Quem pode ser alcançado pelas campanhas
A disputa pelos eleitores ausentes apresenta uma diferença em relação à busca pelos votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno. Nesse caso, Lula e Flávio precisam convencer pessoas que sequer participaram da primeira votação a comparecer novamente.
O desafio é particularmente relevante nos estados com grande eleitorado e alta taxa de abstenção. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão entre os maiores colégios eleitorais do país e tiveram índices de ausência superiores a 22%. Nos três estados, Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula.
Para Lula, portanto, a estratégia anunciada nesta segunda-feira inclui um público numericamente expressivo, mas sem identidade eleitoral conhecida. Os 33,4 milhões de ausentes não formam um bloco eleitoral homogêneo. São eleitores distribuídos por todo o país, com diferentes razões para não terem comparecido às urnas.
A campanha do segundo turno terá, assim, duas frentes distintas: conquistar votos entre os eleitores que participaram do primeiro turno e mobilizar parte dos que ficaram fora da votação.
O tamanho desse segundo grupo é suficiente para alterar a participação eleitoral nacional, mas somente a votação de 25 de outubro mostrará quantos desses eleitores retornarão às urnas e como seus votos serão distribuídos entre Lula e Flávio Bolsonaro.


