Encontro durante a cúpula do G7 pode se tornar a principal aposta diplomática do governo brasileiro para conter medidas comerciais defendidas por órgãos da administração norte-americana

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ter um novo encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a reunião do Grupo dos Sete, marcada para a próxima semana. Nos bastidores do governo brasileiro, a possibilidade é vista como uma oportunidade para evitar a adoção de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros em meio ao agravamento das tensões entre os dois países.
O impasse teve origem em recomendações elaboradas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, órgão responsável pela política comercial norte-americana. O documento sugere a adoção de medidas tarifárias contra o Brasil sob a alegação de práticas consideradas desfavoráveis aos interesses de empresas dos Estados Unidos. Entre os temas questionados estão o sistema de pagamentos Pix, a política para o etanol, ações ambientais e regras relacionadas à propriedade intelectual.
Embora as recomendações ainda não tenham sido transformadas em sanções efetivas, integrantes do governo brasileiro avaliam que a discussão ultrapassa aspectos técnicos e possui forte componente político. Diplomatas envolvidos nas negociações afirmam que o Brasil apresentou informações e esclarecimentos ao governo norte-americano ao longo dos últimos meses, mas que os argumentos não teriam sido suficientes para alterar o posicionamento do USTR.
Negociação política ganha força
Desde a abertura da investigação comercial pelos Estados Unidos, em 2025, representantes dos dois governos realizaram reuniões presenciais, videoconferências e contatos diplomáticos para tentar solucionar as divergências. No entanto, segundo fontes do governo brasileiro, as negociações técnicas não produziram avanços significativos.
Nesse contexto, o encontro entre Lula e Trump passou a ser considerado uma alternativa para destravar o diálogo em nível político. A avaliação no Palácio do Planalto é que uma conversa direta entre os chefes de Estado pode criar condições para uma solução negociada antes que eventuais tarifas sejam implementadas.
Lula participará da reunião do G7 a convite do presidente da França, Emmanuel Macron, embora o Brasil não integre oficialmente o grupo das principais economias industrializadas.
Os dois presidentes já mantiveram encontros em ocasiões recentes, incluindo reuniões na Malásia, em Washington e durante eventos internacionais ligados à Organização das Nações Unidas. Integrantes do governo brasileiro avaliam que esse histórico de contatos pode facilitar uma nova rodada de negociações.
Impactos econômicos preocupam governo
A preocupação do governo brasileiro decorre da importância dos Estados Unidos para a economia nacional. O mercado norte-americano é atualmente o segundo principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, absorvendo parte significativa das exportações industriais brasileiras.
Em resposta às ameaças tarifárias, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes caso seja alvo de restrições consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. Apesar disso, integrantes do Itamaraty afirmam que a prioridade continua sendo a solução diplomática.
Especialistas em comércio exterior observam que uma escalada de medidas retaliatórias poderia afetar investimentos, exportações e cadeias produtivas dos dois países. Por isso, a estratégia brasileira neste momento é concentrar esforços na negociação direta e buscar evitar que o conflito comercial avance para uma disputa mais ampla.
A expectativa do governo é que os encontros bilaterais durante a cúpula do G7 permitam reabrir canais de diálogo político e reduzir as tensões que vêm marcando as relações comerciais entre Brasília e Washington nos últimos meses.




